O Governo de São Paulo apresentou nesta terça-feira (2) um conjunto de medidas voltadas ao combate de incêndios florestais e à preparação para um cenário climático considerado mais desafiador em 2026. A estratégia reúne inteligência artificial, monitoramento por satélites, sistemas de câmeras espalhadas pelo estado e integração com aplicativos utilizados diariamente pela população.
As ações fazem parte da Operação SP Sem Fogo 2026, programa coordenado pela Defesa Civil em parceria com diferentes órgãos estaduais. O objetivo é ampliar a capacidade de prevenção, monitoramento e resposta rápida diante da expectativa de aumento das temperaturas e do risco de queimadas associado ao fortalecimento do fenômeno El Niño.
Entre as novidades está o Painel de Inteligência SP Sem Fogo, plataforma que integra informações meteorológicas, mapas de risco, ocorrências registradas e imagens de monitoramento em tempo real.
Segundo a Defesa Civil, o sistema utiliza inteligência artificial para cruzar os dados e gerar análises que auxiliam equipes de campo na tomada de decisões. A ferramenta também recebe informações de satélites capazes de identificar focos de incêndio ainda nos estágios iniciais.
“Estamos fortalecendo a operação SP Sem Fogo com inteligência, monitoramento em tempo real e ampliação da capacidade operacional dos municípios para reduzir riscos e responder rápida e eficientemente aos novos focos de incêndios”, afirmou o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel PM Rinaldo de Araujo Monteiro.
Outra frente apresentada pelo governo é a chamada Muralha do Fogo. O sistema utilizará imagens das câmeras já instaladas no programa Muralha Paulista, além de equipamentos operados por concessionárias de rodovias e pelo Departamento de Estradas de Rodagem.
A proposta é ampliar a capacidade de identificação de focos de incêndio em diferentes regiões do estado, especialmente durante os períodos mais críticos do ano.
Também foi anunciada uma parceria com o aplicativo Waze. A plataforma passará a disponibilizar um novo ícone que permitirá aos motoristas informar a existência de focos ativos de incêndio durante seus deslocamentos, contribuindo para o monitoramento das estradas.
O plano de contingência foi ampliado em relação aos anos anteriores. Em 2026, a estratégia abrange 613 municípios, número 55% superior ao registrado em 2024.
Além da tecnologia, o programa inclui reforço operacional com aquisição de equipamentos e ampliação das estruturas de resposta.
Ao longo da preparação para o período mais seco do ano, a Defesa Civil promoveu 16 treinamentos presenciais destinados à formação de agentes multiplicadores. As atividades abordaram prevenção, monitoramento, estratégias operacionais e resposta rápida a ocorrências.
As ações também incluem acompanhamento presencial em 24 unidades de conservação classificadas como áreas de alto risco para incêndios florestais.
Durante a fase preparatória, equipes realizaram 72 horas de vistorias técnicas, percorreram mais de 1.100 quilômetros e emitiram 23 notificações direcionadas a rodovias e concessionárias.
A Fundação Florestal informou que ampliará o uso de tecnologias como inteligência artificial, sensoriamento remoto, drones com câmeras termais, dashboards operacionais e integração com plataformas satelitais nacionais e internacionais. Aplicativos móveis também serão utilizados para registro georreferenciado das ocorrências em campo.
A mobilização ocorre em meio às projeções de intensificação do El Niño. Modelos divulgados pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos indicam que o fenômeno pode atingir um dos níveis mais intensos das últimas três décadas.
No Brasil, os cenários meteorológicos apontam aumento de temperatura superior a 2°C em relação aos padrões históricos, com maior intensidade entre a primavera e o início do verão.
Dados citados pelo governo, com base em projeções da Climatempo, indicam tendência de ondas de calor acima de 35°C e maior frequência de eventos extremos, incluindo rajadas de vento e temporais. Diante desse cenário, os sistemas de monitoramento e resposta da Operação SP Sem Fogo permanecerão ativos durante todas as fases previstas para 2026, com atualização contínua das informações utilizadas pelas equipes em campo.