A Chevrolet decidiu entrar de forma mais agressiva no segmento dos SUVs compactos em 2026. O novo Sonic chegou ao mercado brasileiro como principal lançamento da marca no ano e tenta ocupar um espaço delicado entre Volkswagen Nivus, Fiat Pulse e Volkswagen Tera, apostando em preço competitivo, visual esportivo e uma dirigibilidade mais refinada do que o esperado para a categoria.
O modelo parte de R$ 129.990 na versão Premier e chega a R$ 135.990 na configuração RS. O posicionamento chamou atenção porque aproxima o Sonic de versões intermediárias de concorrentes menores, enquanto entrega pacote de equipamentos e desempenho próximos de SUVs mais caros.
O SUV utiliza a mesma plataforma do Onix, mas a Chevrolet trabalhou para afastar a sensação de hatch elevado que costuma acompanhar projetos compactos dessa categoria.
Debaixo do capô, o Sonic usa motor 1.0 turbo de três cilindros com injeção direta, entregando 115 cv e 18,9 kgfm de torque. O câmbio é automático de seis marchas em todas as versões.
Apesar da mecânica semelhante à do Tracker, o novo SUV transmite sensação mais rápida nas retomadas porque pesa menos. São 1.139 kg, cerca de 100 kg abaixo do utilitário maior da própria Chevrolet.
Na prática, isso cria um comportamento mais ágil no uso urbano sem prejudicar consumo e conforto.
A marca optou por não utilizar o motor 1.2 turbo de 139 cv neste primeiro momento. A decisão ajuda a manter o preço mais baixo e evita conflito interno com versões superiores do Tracker.
Um dos pontos mais sensíveis do lançamento continua sendo a correia banhada a óleo. O componente, alvo de críticas e preocupação entre consumidores nos últimos anos, permanece no projeto do Sonic.
Segundo a General Motors, porém, a peça passou por atualização em 2025 e agora utiliza materiais mais resistentes para suportar melhor possíveis falhas relacionadas à qualidade do lubrificante.
A fabricante afirma que o problema está diretamente ligado ao uso de óleo fora das especificações recomendadas. O motor exige lubrificante sintético 0W-20 com certificação Dexos.
A GM afirma que a correia atualizada pode durar até 20 anos seguindo corretamente o plano de manutenção.
A montadora oferece garantia de 240 mil quilômetros para o componente.
No primeiro contato urbano, o Sonic apresentou um comportamento mais refinado do que as dimensões sugerem. Mesmo equipado com rodas de 17 polegadas, o SUV conseguiu absorver irregularidades do asfalto sem transmitir excesso de vibração para a cabine.
O acerto da suspensão se aproxima mais de um hatch médio confortável do que de um SUV compacto excessivamente firme.
O isolamento acústico também chamou atenção. Em baixa rotação, o motor trabalha de forma discreta, enquanto em acelerações mais fortes surge um ronco leve sem incomodar os ocupantes.
O conjunto ainda transmite sensação de estabilidade em curvas e mudanças rápidas de direção, mantendo uma proposta mais esportiva sem sacrificar conforto no uso diário.
As limitações aparecem principalmente no banco traseiro. O Sonic tem apenas 5 cm a mais de comprimento que o Onix e mantém exatamente o mesmo entre-eixos de 2,55 metros.
Isso garante porta-malas maior, com 392 litros, mas reduz o espaço para pernas e cabeça de passageiros mais altos na segunda fileira.
| Modelo | Entre-eixos | Porta-malas |
|---|---|---|
| Chevrolet Sonic | 2,55 m | 392 litros |
| Chevrolet Onix | 2,55 m | 303 litros |
Ainda assim, a posição de dirigir foi tratada com mais cuidado do que em alguns rivais compactos. O motorista consegue ajustar altura do banco e profundidade do volante sem a sensação artificial de estar sentado excessivamente alto.
O Sonic estreia uma nova geração do Chevrolet Intelligent Driving, utilizando câmera frontal de alta definição com área de cobertura ampliada em 40%.
O sistema atua entre 8 km/h e 130 km/h, oferecendo frenagem automática de emergência, manutenção ativa em faixa e alerta de ponto cego.
Durante os testes urbanos, os alertas de colisão e frenagem mostraram respostas rápidas em situações de tráfego intenso.
O Sonic RS ainda adiciona sensores laterais e dianteiros, além do sistema de estacionamento semiautônomo.
Boa parte da força competitiva do Sonic depende diretamente da estratégia de lançamento adotada pela Chevrolet.
Segundo informações repassadas nas concessionárias, os preços promocionais serão mantidos apenas para os primeiros 3 mil veículos vendidos. Depois disso, a versão RS deve ultrapassar os R$ 140 mil.
A mudança pode alterar completamente o posicionamento do SUV dentro do mercado, especialmente diante da reação esperada de Volkswagen e Fiat nos próximos meses.
Enquanto isso, a Chevrolet aposta que o equilíbrio entre visual esportivo, pacote tecnológico e preço agressivo será suficiente para transformar o Sonic em um dos lançamentos mais relevantes do segmento compacto em 2026.