Medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, amplamente utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, passaram a ser alvo de monitoramento mais rigoroso após notificações de possíveis casos de pancreatite aguda associada ao uso dessas substâncias.
Dados registrados entre 2020 e dezembro de 2025 apontam 145 notificações de pancreatite em usuários desses medicamentos no Brasil, além de seis mortes classificadas como suspeitas. As informações constam no sistema VigiMed, mantido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Especialistas destacam que, apesar dos registros, o risco absoluto de desenvolver pancreatite ainda é considerado baixo. Mesmo assim, a decisão pelo uso deve levar em conta o histórico clínico do paciente e possíveis fatores de risco.
A indicação do tratamento exige análise individualizada, especialmente em pacientes com doenças metabólicas ou histórico de problemas pancreáticos.
Estudos recentes indicam um possível aumento discreto na incidência da complicação entre usuários de agonistas do receptor GLP-1, classe à qual pertencem esses medicamentos.
O risco de complicações pode ser maior em pacientes com condições pré-existentes ou fatores associados ao sistema digestivo.
Esses elementos são considerados no momento da prescrição e no acompanhamento ao longo do tratamento.
Os sintomas associados à pancreatite podem se confundir com efeitos comuns do início do uso da medicação, o que exige atenção para identificar sinais mais graves.
A recomendação médica, nesses casos, é interromper o uso imediatamente e buscar avaliação especializada.
O acompanhamento regular permite diferenciar reações esperadas de possíveis complicações, além de ajustar doses e avaliar a resposta do organismo ao tratamento.
| Etapa | Objetivo |
| Avaliação inicial | Identificar riscos e contraindicações |
| Monitoramento contínuo | Acompanhar sintomas e resposta |
| Ajuste de dose | Reduzir efeitos adversos |
Especialistas também alertam para o risco de automedicação e uso de produtos sem procedência, cenário que pode aumentar a exposição a efeitos adversos.
A Anvisa anunciou medidas para ampliar o controle sobre esses medicamentos, incluindo revisão de regras para manipulação e intensificação da fiscalização em farmácias e empresas importadoras.
Segundo o Valor, a iniciativa também envolve cooperação com vigilâncias sanitárias estaduais e organismos internacionais, com foco na segurança do uso dessas substâncias no país.
O uso das canetas emagrecedoras segue em expansão no Brasil, enquanto novos registros de eventos adversos continuam sendo analisados pelas autoridades de saúde.