O café, com ou sem cafeína, apresenta efeitos distintos no organismo, mas ambos influenciam o microbioma intestinal, conjunto de bactérias que desempenha papel central na saúde geral. Alterações nesse ambiente interno foram associadas a mudanças no humor, na percepção de estresse e até na impulsividade.
Durante testes controlados, participantes que consumiam entre 3 e 5 xícaras por dia interromperam o hábito por duas semanas. Nesse período, houve mudanças significativas nos metabólitos intestinais. Após a reintrodução da bebida, os níveis de estresse percebido e sintomas ligados à depressão apresentaram queda relevante.
A presença de bactérias específicas aumentou entre consumidores regulares. Algumas estão associadas à produção de ácidos digestivos e à eliminação de agentes nocivos no sistema gastrointestinal, o que pode explicar parte dos benefícios observados.
Embora a cafeína seja conhecida por estimular o sistema nervoso, o estudo aponta que compostos como polifenóis também exercem papel importante. Esses elementos estão ligados à melhora da memória e da aprendizagem, especialmente no consumo de café descafeinado.
Os resultados indicam que diferentes componentes da bebida atuam de forma complementar no organismo
Já o café com cafeína mostrou associação mais direta com a redução da ansiedade e aumento do estado de alerta, além de relação com menor risco de processos inflamatórios.
Outro levantamento, com mais de 365 mil participantes entre 50 e 74 anos, apontou redução de até 32% no risco de AVC e 28% no risco de demência entre pessoas que consomem café e chá regularmente.
| Consumo diário | Impacto observado |
|---|---|
| 2 a 3 xícaras de café | Melhora na circulação cerebral |
| 3 a 5 xícaras de chá | Redução de inflamação |
| Combinação das bebidas | Menor risco de AVC e demência |
Os dados reforçam que hábitos simples podem ter impacto direto na saúde neurológica ao longo do tempo, especialmente quando combinados com práticas como controle da pressão arterial, atividade física regular e sono adequado.
A identificação rápida desses sinais segue sendo determinante para reduzir sequelas. Mesmo com avanços nas pesquisas sobre prevenção, o tempo de resposta ainda define o desfecho em casos de emergência.
Segundo o Oglobo, o avanço dos estudos sobre o eixo intestino-cérebro amplia o entendimento sobre como fatores alimentares influenciam a saúde mental e neurológica. Novas análises seguem em andamento para mapear os efeitos de longo prazo do consumo regular de café em diferentes perfis populacionais.