A autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para ampliar a dose máxima do Poviztra marca uma nova etapa no mercado brasileiro de medicamentos voltados ao tratamento da obesidade. A partir da atualização publicada no Diário Oficial da União em 1º de junho de 2026, pacientes selecionados poderão receber até 7,2 mg semanais de semaglutida, desde que preencham critérios clínicos definidos e tenham acompanhamento médico.
O medicamento é comercializado no Brasil por meio de uma parceria entre a farmacêutica nacional Eurofarma e a Novo Nordisk. O produto é registrado como um clone do Wegovy e segue as mesmas atualizações regulatórias aprovadas para o medicamento de referência.
A ampliação da dose não representa uma autorização para uso indiscriminado. A indicação é direcionada a adultos com obesidade, caracterizada por índice de massa corporal igual ou superior a 30 kg/m², que não tenham alcançado resposta clínica satisfatória após pelo menos quatro semanas utilizando a dose semanal de 2,4 mg.
Segundo as regras aprovadas, a decisão sobre a mudança de esquema terapêutico deve considerar fatores como evolução do peso, tolerabilidade ao medicamento e presença de efeitos adversos. Caso a resposta não seja considerada adequada ou ocorram reações importantes, a orientação é retornar à dosagem tradicional.
A nova estratégia foi autorizada para situações específicas e depende de avaliação individualizada do médico responsável pelo tratamento.
A dose ampliada corresponde a três aplicações consecutivas de 2,4 mg realizadas no mesmo dia, em áreas diferentes da pele. O procedimento continua sendo semanal e administrado por via subcutânea.
A mudança busca ampliar a resposta terapêutica em pacientes que permanecem com dificuldade para atingir metas de perda de peso mesmo após seguir corretamente o tratamento convencional.
A decisão regulatória teve como base os resultados do estudo STEP UP, que avaliou a eficácia e a segurança da semaglutida em doses mais elevadas.
Ao todo, 1.407 adultos com obesidade e sem diabetes participaram da pesquisa durante 72 semanas. Os voluntários foram divididos em três grupos distintos.
Todos os participantes receberam orientação para promover mudanças nos hábitos de vida ao longo do acompanhamento.
Os resultados indicaram perda média de peso de 18,7% entre os participantes que utilizaram a dose de 7,2 mg. Entre aqueles tratados com 2,4 mg, a redução média foi de 15,6%. No grupo placebo, a perda média ficou em 3,9%.
Os pesquisadores também observaram aumento na proporção de pacientes que alcançaram reduções corporais superiores a 20% e 25% quando utilizada a dose mais alta.
Além dos resultados clínicos, o custo do tratamento permanece como um dos principais fatores analisados por pacientes e especialistas.
Nas doses atualmente comercializadas, o tratamento mensal com Wegovy custa R$ 1.749. Já o Poviztra tem preço informado de R$ 1.444 para a mesma apresentação, diferença de R$ 305 por caneta.
A existência de uma alternativa mais barata ao medicamento de referência é vista como um fator que pode ampliar o acesso ao tratamento em parte do mercado. Ainda assim, os valores finais variam conforme a rede de farmácias, região do país e políticas de desconto oferecidas ao consumidor.
Segundo a Veja, a ampliação da dose também levanta uma nova discussão sobre o impacto financeiro do tratamento em esquemas mais intensivos, tema que deve ganhar relevância à medida que médicos e pacientes começarem a avaliar os resultados obtidos com a nova estratégia terapêutica autorizada no país.