O consumo de alimentos ultraprocessados pode comprometer a capacidade de concentração mesmo entre pessoas que mantêm uma alimentação considerada saudável. A conclusão é de um estudo internacional com participação da Universidade de São Paulo, publicado na revista científica Alzheimer’s & Dementia: Diagnosis, Assessment & Disease Monitoring.
A pesquisa analisou dados de cerca de 2.100 adultos australianos de meia-idade e idosos sem diagnóstico de demência. Os participantes tinham, em média, 41% da ingestão diária de energia proveniente de alimentos ultraprocessados, o que permitiu avaliar o impacto desse padrão alimentar sobre funções cognitivas.
Os resultados apontam que mesmo variações discretas no consumo desses produtos estão associadas a pior desempenho em testes de atenção e processamento mental.
Um aumento de 10% na ingestão de ultraprocessados, equivalente à inclusão diária de um pacote de salgadinho, já foi suficiente para provocar queda mensurável na concentração.
Segundo os pesquisadores, a redução foi observada em testes padronizados que avaliam atenção visual e velocidade de resposta, indicadores fundamentais para atividades cotidianas.
Um dos principais achados do estudo é que os efeitos negativos não são neutralizados por uma dieta balanceada em outros aspectos. Mesmo indivíduos que consumiam frutas, verduras e outros alimentos naturais apresentaram pior desempenho cognitivo quando aumentavam a ingestão de ultraprocessados.
Os pesquisadores destacam que esse padrão reforça a influência direta desses produtos no funcionamento do cérebro.
De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, ultraprocessados são formulações industriais com diversos aditivos e baixo teor de alimentos in natura. Entre os principais exemplos estão:
Esses itens costumam apresentar alta densidade calórica, grande quantidade de açúcar, gordura e sódio, além de substâncias químicas utilizadas para conservação e sabor.
Além da redução na capacidade de concentração, o estudo também identificou associação entre maior consumo de ultraprocessados e aumento do risco estimado de demência.
Os participantes que ingeriam maiores quantidades desses alimentos apresentaram desempenho inferior em testes cognitivos globais, utilizados para medir funções como memória, atenção e raciocínio.
Os autores ressaltam que a pesquisa identifica uma associação estatística, e não uma relação direta de causa e efeito, mas reforça a importância da alimentação como fator modificável na saúde cerebral.
A atenção é considerada uma função essencial para atividades diárias, aprendizado e tomada de decisões. Alterações persistentes nesse campo podem impactar produtividade e qualidade de vida ao longo dos anos.
Segundo o Metropoles, diante dos resultados, especialistas apontam que mudanças no padrão alimentar podem influenciar diretamente o funcionamento cognitivo, especialmente em populações mais envelhecidas. Enquanto novas pesquisas buscam aprofundar os mecanismos envolvidos, o consumo de ultraprocessados segue elevado e presente na rotina de grande parte da população.