A Polícia Federal e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, preparam uma nova etapa da investigação que apura possíveis ligações entre autoridades públicas, integrantes de milícias e membros do Comando Vermelho no Rio de Janeiro. O movimento ocorre após o avanço das apurações nas últimas semanas.
A expectativa é de que novas operações sejam realizadas nos próximos dias. As medidas devem ser autorizadas por Moraes, responsável pelas decisões relacionadas ao inquérito que acompanha o caso.
A investigação está concentrada na chamada Operação Anomalia, que busca esclarecer suspeitas de obstrução de investigações envolvendo o Comando Vermelho. Entre os fatos analisados pelos investigadores estão denúncias de extorsão contra traficantes, favorecimento a um traficante internacional de drogas e apoio a integrantes de organizações criminosas que atuam no Rio de Janeiro, segundo informações divulgadas pelo Metrópoles.
Segundo as informações já divulgadas pelas autoridades, o foco não está apenas na atuação direta das facções. Os investigadores também analisam possíveis mecanismos de proteção e vazamento de informações que poderiam beneficiar integrantes do crime organizado.
A investigação procura identificar como estruturas públicas teriam sido utilizadas para dificultar apurações e favorecer integrantes de organizações criminosas.
As fases anteriores da operação ocorreram em março e resultaram em uma série de mandados de busca, apreensão e prisão. As ações atingiram integrantes de diferentes órgãos de segurança pública.
Nas etapas já realizadas, a Polícia Federal prendeu dois delegados, sendo um da própria PF e outro da Polícia Civil. Também foram presos dois policiais civis e sete policiais militares.
As medidas adotadas pelos investigadores ampliaram o alcance da apuração e reforçaram a suspeita de que o esquema investigado poderia envolver diferentes setores da administração pública e das forças de segurança.
Outro desdobramento relevante ocorreu com a prisão do ex-deputado estadual Thiego dos Santos, conhecido como TH Joias. O ex-chefe da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, também foi alcançado pelas investigações.
De acordo com as suspeitas investigadas, ambos teriam vazado informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho. As acusações seguem sendo analisadas no âmbito da operação.
Ao justificar medidas adotadas no caso, Moraes afirmou que organizações criminosas não atuam apenas por meio do domínio territorial e do uso da força. Segundo o ministro, esses grupos também teriam ampliado sua capacidade de influência em diferentes esferas do poder público.
A avaliação apresentada nas decisões aponta para uma preocupação com possíveis formas de infiltração política atribuídas a essas organizações, alcançando níveis municipal, estadual e federal.
Enquanto novas diligências são preparadas pela Polícia Federal, a Operação Anomalia continua reunindo elementos sobre a atuação de agentes públicos, policiais e pessoas com influência política que teriam mantido contato ou favorecido integrantes do Comando Vermelho. As próximas fases da investigação devem aprofundar a análise desse material e poderão ampliar o número de alvos envolvidos no caso.
Foto de capa: Marcelo Camargo/Agência Brasil.