Os metroviários de São Paulo decidiram não aprovar a greve discutida pela categoria durante assembleia realizada na noite desta terça-feira (12), encerrando a possibilidade de paralisação das linhas operadas pelo Metrô nas primeiras horas de quarta-feira (13). A decisão foi tomada após reunião na sede do Sindicato dos Metroviários, no Belém, zona leste da capital paulista, acompanhada ao vivo pela internet.
A assembleia ocorreu em meio a semanas de tensão entre trabalhadores, direção da companhia e governo estadual. A categoria vinha pressionando por avanços em negociações relacionadas ao quadro de funcionários, plano de saúde, Participação nos Resultados (PR) de 2026 e plano de carreira.
Apesar da rejeição da greve, o encontro foi marcado por críticas à situação operacional do sistema metroviário e por cobranças sobre a redução do número de funcionários nos últimos anos.
Entre as principais reivindicações dos trabalhadores está a realização de concursos públicos para recompor o quadro de empregados do Metrô. Segundo o sindicato, o sistema opera atualmente com menos funcionários do que há dez anos, cenário que, de acordo com a entidade, tem afetado diretamente as condições de trabalho dentro da companhia.
Os metroviários também criticaram o avanço da terceirização em diferentes setores do sistema. Durante a assembleia, representantes da categoria afirmaram que a mudança altera rotinas internas e amplia preocupações sobre segurança operacional e atendimento aos passageiros.
O sindicato sustenta que o governo estadual precisa apresentar propostas concretas para evitar novos impasses nas negociações trabalhistas.
Outro ponto de desgaste envolve possíveis alterações no plano de saúde dos funcionários. Os trabalhadores demonstraram preocupação com aumento de descontos nos salários e custos maiores em consultas e procedimentos médicos.
Durante a reunião desta terça-feira, o sindicato voltou a defender a adoção de “catraca livre” em caso de paralisação. A proposta prevê funcionamento do sistema sem cobrança de tarifa aos passageiros durante eventuais movimentos grevistas, desde que haja autorização do governo estadual.
A medida já havia sido citada pela categoria em discussões anteriores e reapareceu como alternativa apresentada pelos representantes sindicais durante o encontro.
Com a rejeição da greve, as quatro linhas administradas pelo Metrô devem operar normalmente nesta quarta-feira. A decisão afasta, ao menos por enquanto, o risco de uma nova paralisação no sistema de transporte sobre trilhos da capital paulista.
Até a noite desta terça, o Governo de São Paulo e a direção do Metrô ainda não haviam divulgado posicionamento oficial sobre o resultado da assembleia nem sobre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores durante a reunião.