A SpaceX iniciou sua trajetória como empresa de capital aberto em um dos eventos mais aguardados dos mercados financeiros globais. A estreia na Nasdaq transformou a companhia fundada por Elon Musk em uma das empresas mais valiosas do planeta e consolidou a maior oferta pública inicial já realizada em Wall Street.
A operação envolveu a venda de 555,56 milhões de ações ao preço inicial de US$ 135 por papel. Com isso, a companhia alcançou uma avaliação de aproximadamente US$ 1,77 trilhão, valor que a coloca entre os gigantes globais da tecnologia e da inovação.
O tamanho da oferta atraiu investidores institucionais e pessoas físicas de diversos países, ampliando o interesse por um setor que até poucos anos atrás era dominado quase exclusivamente por contratos governamentais e programas espaciais estatais.
O interesse dos investidores foi expressivo desde os primeiros dias de preparação da oferta.
Segundo informações divulgadas pelo mercado financeiro, o IPO recebeu cerca de US$ 70 bilhões em pedidos de investidores de varejo. A demanda elevada indica forte interesse do público por participação direta na empresa responsável por foguetes reutilizáveis, missões espaciais comerciais e pela expansão da internet via satélite.
Inicialmente, apenas parte dessa procura deve ser atendida, o que aumenta a atenção do mercado para o comportamento das ações nos primeiros dias de negociação.
Apesar da abertura de capital, Elon Musk continuará exercendo influência dominante sobre a empresa.
A estrutura acionária foi organizada de forma que o empresário mantenha aproximadamente metade das ações totais da companhia. Parte dos papéis pertence à Classe B, categoria que garante poder ampliado de voto nas decisões corporativas.
Com isso, Musk preserva cerca de 82,4% do controle de votação, mantendo a capacidade de direcionar estratégias e decisões de longo prazo.
A operação também reforça a integração entre diferentes negócios ligados ao empresário, incluindo inteligência artificial, conectividade global, veículos elétricos e exploração espacial.
Fundada em 2002, a SpaceX nasceu com o objetivo de desenvolver foguetes e reduzir os custos de acesso ao espaço.
Ao longo dos anos, a companhia expandiu significativamente suas operações. Além dos lançamentos espaciais, passou a atuar em conectividade global por meio da Starlink, rede de internet via satélite que se tornou uma das principais fontes de receita do grupo.
Mais recentemente, a empresa também avançou na integração com projetos de inteligência artificial ligados à xAI, startup responsável pelo desenvolvimento do chatbot Grok.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Valor de mercado | US$ 1,77 trilhão |
| Preço inicial da ação | US$ 135 |
| Ações ofertadas | 555,56 milhões |
| Receita anual mais recente | US$ 4,69 bilhões |
| Pedidos de varejo | US$ 70 bilhões |
A estreia da SpaceX não ficou restrita aos investidores americanos. A B3 passou a disponibilizar certificados lastreados nas ações da companhia por meio de BDRs.
Os recibos brasileiros permitem exposição ao desempenho da empresa sem necessidade de abertura de conta no exterior ou realização direta de operações cambiais.
Negociados sob o código SPCX34, os ativos foram estruturados com paridade de uma ação para quinze BDRs. Dessa forma, os certificados chegam ao mercado brasileiro com valores estimados entre R$ 50 e R$ 70 por unidade.
A abertura de capital representa mais um capítulo na transformação da SpaceX de fabricante de foguetes em uma plataforma global de tecnologia, conectividade e exploração espacial, enquanto investidores acompanham os primeiros movimentos da companhia no mercado aberto.