O processo de modernização do Estádio Conde Rodolfo Crespi, a tradicional Rua Javari, colocou o Juventus novamente no centro das atenções em São Paulo. Enquanto o clube trabalha para adequar sua casa ao retorno à primeira divisão do Campeonato Paulista em 2027, parte das intervenções já começou mesmo sem a conclusão da análise técnica da prefeitura e do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp).
As obras tiveram início em maio, poucos dias após o acesso conquistado pelo Juventus na Série A2. Desde então, moradores da Mooca passaram a acompanhar a movimentação constante de operários e equipamentos no complexo esportivo localizado na Zona Leste da capital, revelou o G1.
Vídeos gravados por vizinhos registraram a retirada de estruturas históricas, incluindo trechos de alambrados e antigos bancos de reservas em concreto. Uma arquibancada lateral e um ginásio de futsal também foram demolidos durante os trabalhos.
O principal objetivo da reforma é ampliar a capacidade da Rua Javari para cerca de 15 mil espectadores. Atualmente, o estádio possui capacidade muito inferior ao número exigido pela Federação Paulista de Futebol para receber partidas da Série A1.
A proposta apresentada pela SAF que administra o futebol do Juventus prevê uma ampla requalificação do complexo esportivo.
Segundo a administração municipal, o pedido de restauro e reforma ainda passa por avaliação técnica do Departamento do Patrimônio Histórico. Somente após essa etapa o Conpresp poderá deliberar sobre a autorização definitiva das intervenções.
O estádio foi inaugurado em 1941 e teve seu valor histórico reconhecido oficialmente em 2016, quando passou a integrar a lista de bens protegidos do município.
O tombamento preserva elementos considerados fundamentais para a identidade arquitetônica da Rua Javari.
Entre os itens protegidos estão as arquibancadas históricas, o campo de futebol, os muros, as bilheterias e a entrada principal voltada para a Rua Javari.
Especialistas em preservação urbana afirmam que qualquer intervenção dentro do lote deveria ser submetida previamente à análise dos órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio.
O debate ganhou força porque parte das demolições ocorreu enquanto os pedidos ainda permaneciam em tramitação nos órgãos municipais.
Em meio às obras, a loja oficial ligada ao clube passou a oferecer itens retirados do estádio. Entre os produtos anunciados estão cadeiras numeradas e fragmentos originais do alambrado da Rua Javari.
A ação foi apresentada como uma forma de preservar lembranças de um dos estádios mais tradicionais do futebol paulista, conhecido por sua forte ligação com a história da Mooca e pela atmosfera característica dos jogos realizados no local.
A reforma marca também um novo capítulo após problemas envolvendo recursos destinados ao patrimônio do clube.
Em 2022, o Juventus obteve autorização para comercializar potencial construtivo do imóvel, mecanismo previsto no Plano Diretor para imóveis tombados. A operação gerou arrecadação de aproximadamente R$ 2,3 milhões que deveriam ser destinados à conservação do estádio.
Anos depois, a ausência das obras previstas resultou em questionamentos administrativos, multas e investigações. Durante a transição para a SAF, surgiram suspeitas de utilização irregular dos recursos por ex-dirigentes, levando à abertura de sindicância interna e de investigação policial.
Atualmente, o caso segue sob apuração e envolve diligências para rastrear a destinação dos valores movimentados. Paralelamente, a prefeitura continua analisando o projeto de restauro apresentado pela nova administração, etapa considerada decisiva para definir o futuro da Rua Javari e as condições para que o Juventus volte a disputar partidas da primeira divisão estadual em seu estádio histórico.