O contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido nacionalmente como Carlinhos Cachoeira, foi preso pela Polícia Federal na tarde desta quarta-feira no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo. O mandado de prisão preventiva foi expedido pela 8ª Vara Criminal de Goiânia.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal, a investigação atual apura supostos crimes de calúnia, difamação e injúria. O processo tramita sob segredo de Justiça e, até o momento, detalhes da apuração não foram divulgados oficialmente.
A defesa de Carlinhos Cachoeira informou que não pretende se manifestar sobre a prisão.
Carlinhos Cachoeira ficou conhecido em todo o país em 2012, quando foi preso durante a Operação Monte Carlo, conduzida pela Polícia Federal em Goiás. A investigação apontou a existência de um esquema de exploração de jogos ilegais, além de suspeitas de corrupção e influência sobre agentes públicos, empresários e políticos.
Na época, interceptações telefônicas colocaram Cachoeira no centro de uma crise política após revelarem contatos frequentes com o então senador Demóstenes Torres. O caso provocou forte repercussão em Brasília e levou à abertura da CPMI do Cachoeira no Congresso Nacional.
As investigações da Operação Monte Carlo atingiram empresários, agentes públicos e políticos ligados ao esquema de jogos ilegais.
A apuração também alcançou a construtora Delta, que passou a ser investigada por supostas relações com o grupo comandado pelo contraventor, revelou o G1.
Antes mesmo da Operação Monte Carlo, o nome de Carlinhos Cachoeira já havia aparecido em outro episódio político de repercussão nacional. Em 2004, ele foi citado no escândalo envolvendo Waldomiro Diniz, então assessor da Casa Civil do governo Lula.
Naquele caso, um vídeo mostrou Waldomiro em conversa relacionada a suposta negociação de propina ligada à exploração de jogos ilegais. O episódio teve forte impacto político na época e ampliou a exposição nacional de Cachoeira.
Após a Operação Monte Carlo, Carlinhos Cachoeira foi condenado em processos relacionados a corrupção, formação de quadrilha e exploração de jogos ilegais. As penas chegaram a ultrapassar 39 anos de prisão.
Apesar das condenações, ele respondeu parte dos processos em liberdade após decisões judiciais e recursos apresentados pela defesa ao longo dos últimos anos.
Em Goiás, o nome do contraventor permaneceu ligado a investigações policiais e disputas judiciais envolvendo jogos ilegais, influência política e movimentações financeiras investigadas pelas autoridades.
A nova prisão ocorre mais de uma década após a Operação Monte Carlo e recoloca Carlinhos Cachoeira no centro de uma investigação conduzida pela Justiça goiana, que segue sob sigilo.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.