O número de brasileiros endividados voltou a crescer em 2026 e já alcança quase metade da população do país. Levantamento divulgado pela Serasa Experian mostra que 82,8 milhões de pessoas tinham algum tipo de dívida em março, o equivalente a 49% dos brasileiros.
As instituições financeiras concentram a maior parte desse passivo. Segundo os dados, 47% das dívidas estão ligadas a bancos, cartões de crédito, cheque especial e crédito pessoal, acumulando R$ 557,7 bilhões em débitos.
O cenário levou o governo federal a lançar o programa Desenrola 2.0, apresentado oficialmente nesta semana como tentativa de ampliar renegociações e reduzir o nível de inadimplência no país.
A nova etapa do Desenrola é direcionada para pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, faixa equivalente a aproximadamente R$ 8 mil.
Poderão renegociar dívidas consumidores com débitos contraídos até 31 de janeiro deste ano e que estejam atrasados entre 90 dias e dois anos.
Entre as condições anunciadas estão:
O foco principal da renegociação está em dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, modalidades que concentram parte relevante da inadimplência no país.
O levantamento da Serasa também identificou 338,2 milhões de dívidas registradas em todo o país. Em média, cada consumidor inadimplente acumula R$ 6.728,51 em débitos.
Já o valor médio individual de cada dívida foi calculado em R$ 1.647,64.
Além das pendências bancárias, o estudo aponta que:
| Tipo de dívida | Participação |
| Instituições financeiras | 47% |
| Contas básicas, água e luz | 21% |
| Setor de serviços | 11,5% |
Uma pesquisa complementar realizada pela Serasa com 1.904 pessoas revelou que o desemprego e a perda de renda continuam sendo os principais fatores por trás do endividamento.
Segundo os entrevistados:
Segundo Correiobraziliense, a diretora da Serasa, Aline Maciel, afirmou que o Desenrola pode aliviar parte da pressão financeira no curto prazo, mas considera que o país ainda enfrenta dificuldades estruturais ligadas ao acesso ao crédito e à educação financeira.
“O Desenrola 2.0 não fará milagre. O ideal seria um programa que promovesse educação financeira para as classes menos favorecidas da sociedade”, afirmou a executiva.
O crescimento da inadimplência ocorre em um momento de juros elevados e desaceleração econômica, fatores que aumentam o peso das parcelas no orçamento doméstico e ampliam a dificuldade de renegociação para famílias de baixa renda.