A prisão de uma mulher de 37 anos acusada de se passar por uma adolescente de 12 anos em Joinville, Santa Catarina, trouxe à tona um episódio semelhante registrado anteriormente no interior de São Paulo. Antes de ser investigada pelas autoridades catarinenses, ela já havia utilizado outra identidade falsa em Jundiaí e conseguido acesso à rede de proteção destinada a crianças e adolescentes.
Segundo registros do caso, o episódio ocorreu em agosto de 2022. Na ocasião, a mulher apresentou-se como Ana Clara dos Santos Oliveira e afirmou ter nascido em dezembro de 2009. A identidade utilizada permitiu que ela fosse tratada inicialmente como uma adolescente em situação de vulnerabilidade.
Ao ser encontrada por guardas municipais, a mulher relatou uma história que mobilizou diversos serviços públicos.
Segundo o boletim de ocorrência, ela afirmou ter sido vítima de exploração sexual e declarou que havia fugido de uma casa de prostituição localizada em Fortaleza, no Ceará.
A narrativa incluía acusações de cárcere privado e alegações de que era obrigada a manter relações sexuais desde a infância. Ainda de acordo com o relato apresentado às autoridades, ela teria chegado a Jundiaí com a ajuda de um caminhoneiro.
Diante das informações recebidas, os agentes acionaram os protocolos previstos para proteção de menores em situação de risco.
Após o primeiro atendimento, a mulher foi encaminhada para avaliação médica e recebeu suporte da rede municipal de assistência.
Na sequência, foi acolhida em estruturas destinadas ao atendimento de crianças e adolescentes.
O caso passou a ser acompanhado por diferentes órgãos públicos até que inconsistências começaram a surgir durante as verificações realizadas pelas autoridades responsáveis.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil permitiram identificar que a pessoa acolhida não era uma adolescente.
Segundo a apuração, ela tinha 34 anos na época dos fatos.
Com a descoberta da verdadeira identidade, o caso seguiu para análise da Justiça.
A denúncia foi recebida em junho de 2023. Entretanto, a mulher não compareceu aos atos processuais nem constituiu defesa formal.
As tentativas de localização não tiveram sucesso naquele momento.
Diante da impossibilidade de encontrá-la, a magistrada responsável determinou a suspensão do processo pelo período de 12 meses.
O nome da suspeita voltou ao centro das investigações após uma ocorrência registrada em Joinville.
Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, ela utilizava a identidade de uma adolescente chamada “Gabriele” e conseguiu ser acolhida por uma família da cidade.
A aproximação começou após ela frequentar uma igreja e relatar supostos episódios de maus-tratos atribuídos ao pai biológico.
O pastor responsável pela comunidade religiosa a apresentou a uma família que passou a acolhê-la.
Com o tempo, a mulher conquistou a confiança dos integrantes do núcleo familiar e permaneceu convivendo com eles por aproximadamente um ano.
A situação começou a mudar quando uma parente da família adotiva passou a desconfiar da história apresentada pela suposta adolescente.
Após pesquisas e consultas sobre informações disponíveis publicamente, surgiram indícios de que episódios semelhantes já haviam ocorrido em outros estados.
A denúncia foi encaminhada às autoridades, que iniciaram contato com investigadores de diferentes regiões do país.
As verificações permitiram confirmar a identidade da mulher e revelar registros anteriores em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
Segundo a CNN, durante o período em que sustentava a falsa identidade, ela afirmava ser autista e atribuía sua aparência adulta ao uso forçado de hormônios durante a infância. A prisão ocorreu após a conclusão das investigações conduzidas pela Polícia Civil catarinense, que agora busca esclarecer toda a extensão das identidades utilizadas e dos episódios registrados em diferentes estados brasileiros.