A crise envolvendo parlamentares do PL na Assembleia Legislativa de Goiás ganhou um novo capítulo nesta semana após o deputado estadual Major Araújo apresentar um requerimento pedindo autorização para entrar armado no plenário da Casa. O pedido ocorreu dias depois da discussão entre ele e o deputado Amauri Ribeiro durante uma sessão marcada por ameaças e necessidade de contenção dentro da Alego.
A solicitação foi apresentada na terça-feira (12), em meio ao ambiente ainda tensionado pela briga registrada na última quinta-feira (7). Durante a sessão, Major Araújo afirmou que vinha sendo alvo de ameaças e agressões verbais dentro da Assembleia.
“Eu estou apresentando um requerimento para que a mesa diretora me autorize a vir para o plenário armado”, declarou o parlamentar durante a sessão.
O presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Bruno Peixoto, rejeitou publicamente qualquer possibilidade de flexibilização da regra interna da Casa. Segundo ele, o regimento proíbe a entrada armada no plenário independentemente do cargo ocupado pelo parlamentar.
O episódio entre Major Araújo e Amauri Ribeiro ocorreu durante sessão plenária e precisou da intervenção de outros parlamentares e servidores da Casa. O bate-boca evoluiu para ameaças e gerou repercussão política dentro da Assembleia, revelou o G1.
Vídeos da discussão circularam nas redes sociais e ampliaram o desgaste entre integrantes do mesmo partido. O caso também provocou debates sobre segurança institucional e limites de comportamento dentro do Legislativo estadual.
A nova sessão realizada nesta terça-feira voltou a registrar clima de tensão após a presença do coronel da Polícia Militar Edson Luís Souza Melo Rocha, conhecido como Edson Raiado. Segundo relatos feitos durante a sessão, o oficial acompanhava os trabalhos sentado em uma área próxima ao plenário destinada à imprensa.
Major Araújo afirmou nas redes sociais que teria sofrido uma tentativa de intimidação com a presença do coronel no local. Em publicação feita após a sessão, o deputado utilizou tom duro contra o oficial da PM.
O parlamentar escreveu que “não seria intimidado” e classificou a situação como uma tentativa de pressão dentro da Assembleia. A movimentação gerou acompanhamento de policiais legislativos e aumentou o clima de instabilidade nos corredores da Alego.
Edson Raiado reagiu às declarações e informou que apresentou representação formal contra o deputado na corregedoria. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o coronel afirmou que foi alvo de termos ofensivos durante a sessão parlamentar.
“A imunidade parlamentar não serve de escudo para o cometimento de crimes militares, injúrias ou atos que atentem contra a hierarquia e a disciplina”, afirmou o coronel.
Segundo ele, a representação já foi protocolada e deverá seguir tramitação nos órgãos competentes. O caso agora avança em duas frentes, a política dentro da Assembleia e a disciplinar ligada à Polícia Militar.
A Assembleia Legislativa de Goiás ainda não informou se haverá medidas administrativas relacionadas à confusão entre os parlamentares, enquanto os desdobramentos envolvendo o requerimento e a representação disciplinar seguem em andamento.