A filiação de Joaquim Barbosa ao Democracia Cristã recolocou o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal no centro da corrida presidencial de 2026. A movimentação foi confirmada pelo partido neste sábado (16) e provocou mudança imediata na estratégia eleitoral da legenda, que pretende abandonar a pré-candidatura do ex-ministro Aldo Rebelo para apostar no ex-magistrado como nome competitivo ao Palácio do Planalto.
O DC é presidido pelo ex-deputado federal João Caldas, que passou os últimos meses tentando consolidar a candidatura de Rebelo sem conseguir avanço relevante nas pesquisas eleitorais. A avaliação interna do partido é de que Joaquim Barbosa possui maior potencial de alcance nacional, além de carregar forte identificação pública com o combate à corrupção e com os julgamentos do mensalão no STF.
A entrada de Barbosa ocorre em um momento de tensão política entre Executivo, Congresso e Judiciário. Integrantes do Democracia Cristã afirmam que a candidatura será construída com foco no discurso de estabilidade institucional e reorganização política do país.
“Ele se filiou ao partido para concorrer. Atualmente, vivemos no Brasil uma crise institucional entre os três poderes”, afirmou João Caldas ao defender a candidatura do ex-ministro.
A direção da legenda considera que o histórico de Barbosa no Supremo pode funcionar como diferencial em um cenário marcado pela polarização entre lulismo e bolsonarismo. O partido também tenta atrair eleitores de centro e setores descontentes com os grupos tradicionais da política nacional.
Barbosa integrou o STF entre 2003 e 2014 e antecipou a aposentadoria em mais de dez anos antes do prazo limite previsto pela legislação. Na época, a saída repentina do tribunal gerou especulações políticas que voltam agora ao debate eleitoral.
Não é a primeira vez que Joaquim Barbosa surge como possibilidade para a Presidência da República. Em 2018, ele chegou a ser cotado como candidato e participou de articulações políticas, mas desistiu antes do início oficial da campanha.
A reaparição do ex-ministro acontece em uma disputa que já reúne nomes conhecidos nacionalmente. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é tratado pelo PT como pré-candidato à reeleição, sustentando a estratégia em programas sociais, crescimento econômico e comparação direta com a gestão anterior.
Na direita, Flávio Bolsonaro aparece como principal nome ligado ao bolsonarismo para tentar o Planalto. O senador do PL divide espaço com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, do PSD, e com Romeu Zema, do Novo, que também busca consolidar candidatura nacional.
O avanço das articulações partidárias já começa a alterar o ambiente pré-eleitoral em Brasília. Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado mostrou Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 35%.
A maioria das entrevistas foi realizada antes da repercussão envolvendo conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Mesmo assim, lideranças partidárias avaliam que o cenário ainda permanece aberto para movimentos de última hora e entrada de novos candidatos competitivos.
Segundo o G1, nos bastidores de Brasília, dirigentes partidários já trabalham na montagem de alianças regionais e na busca por apoios para ampliar tempo de televisão e estrutura nacional. A expectativa é que novas definições ocorram ainda antes do fim do segundo semestre, período considerado decisivo para consolidar candidaturas e chapas competitivas para 2026.
Foto de capa: © Fellipe Sampaio/STF.