O feriado de 21 de abril foi instituído no Brasil para marcar a morte de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, executado em 1792 por sua participação na Inconfidência Mineira. O movimento defendia a ruptura com o domínio português e a implantação de um novo modelo político no território colonial.
Condenado por traição à Coroa, Tiradentes foi enforcado no Rio de Janeiro aos 45 anos. Após a execução, seu corpo foi esquartejado e exposto em diferentes pontos de Vila Rica, atual Ouro Preto, como forma de intimidação pública.
A punição exemplar buscava desmobilizar qualquer tentativa de revolta contra o poder português.
Apesar da intenção inicial de apagamento, a figura de Tiradentes ganhou outro significado ao longo das décadas seguintes, especialmente após a Proclamação da República, em 1889.
A ausência de registros confiáveis sobre a aparência física de Tiradentes abriu espaço para interpretações. Não há retratos feitos em vida, o que permitiu que artistas criassem versões idealizadas de sua imagem.
Esse vazio histórico foi determinante para a criação de um símbolo visual alinhado aos interesses políticos do período republicano.
No final do século XIX, o artista Angelo Agostini foi encarregado de produzir uma representação de Tiradentes. Para dar força simbólica ao personagem, a imagem foi inspirada em referências religiosas.
A figura de Tiradentes passou a ser retratada com barba longa e expressão serena, aproximando-se visualmente de representações clássicas de Jesus Cristo.
A escolha não foi aleatória. A construção de um mártir com características semelhantes às de Cristo reforçava a ideia de sacrifício em nome de um ideal coletivo.
A partir da segunda metade do século XIX, escritores, artistas e intelectuais passaram a reforçar a imagem de Tiradentes como herói nacional.
Essa narrativa ajudou a legitimar o novo regime político instaurado após a queda da monarquia.
O dia 21 de abril foi transformado em feriado nacional em 1890, poucos meses após a Proclamação da República. A medida fazia parte de um esforço para criar referências cívicas alinhadas ao novo modelo de governo.
| Data da execução | 21 de abril de 1792 |
| Criação do feriado | 1890 |
| Reconhecimento como patrono cívico | 1965 |
A oficialização consolidou Tiradentes como símbolo da luta contra a opressão colonial e como figura central na memória política brasileira.
Ao longo do tempo, sua imagem deixou de representar apenas um participante de um movimento fracassado e passou a ocupar espaço central na construção da identidade republicana, processo que segue sendo reinterpretado em produções culturais, debates acadêmicos e revisões históricas ainda em curso.