Mairiporã reuniu profissionais e técnicos na quarta-feira (25) para atualizar regras do licenciamento ambiental, impactando diretamente obras e regularizações na cidade.
O encontro ocorreu na Câmara Municipal e tratou da aplicação da Deliberação Normativa CONSEMA 01/24, que redefine o que pode ser analisado diretamente pelo município — mudança que já altera prazos, exigências e a forma como projetos chegam à prefeitura.
A capacitação foi conduzida pela engenheira ambiental Priscila Carvalho e atraiu participantes de cidades vizinhas. Na prática, o curso funcionou como um ajuste fino entre quem projeta e quem analisa. De um lado, profissionais tentando evitar retrabalho. Do outro, técnicos públicos lidando com uma demanda crescente por licenças.
O recado foi direto: não dá mais para trabalhar com base em regras antigas. O licenciamento ambiental deixou de ser apenas uma etapa burocrática e passou a ser o ponto que define se uma obra anda ou trava.
A Secretaria de Meio Ambiente reforçou que qualquer intervenção — da retirada de vegetação à movimentação de terra — exige análise prévia. E o erro mais comum ainda é simples: projetos incompletos ou fora do padrão exigido.
“Quando o estudo chega incompleto, o processo para. E quem paga essa conta é o próprio empreendedor, com atraso e custo extra.”
Mairiporã não é um município comum quando o assunto é meio ambiente. Todo o território está dentro da APA Cantareira e parte dele integra a Área de Proteção dos Mananciais do Alto Juquery.
Isso muda completamente o jogo. Aqui, cada projeto passa por um filtro mais rigoroso. Não basta apresentar uma planta — é preciso provar que o impacto será controlado.
Quando há supressão vegetal, a legislação obriga compensação. E isso não é opcional.
Desde 2023, Mairiporã passou a realizar o licenciamento ambiental municipalizado. Na prática, isso tirou parte da dependência da CETESB e trouxe mais autonomia para a cidade.
Com a criação da Agência de Licenciamento Ambiental, os processos ficaram mais próximos da realidade local. Mas essa agilidade tem um preço: o nível de exigência aumentou.
| Aspecto | Antes | Agora |
|---|---|---|
| Análise de projetos | Centralizada no Estado | Feita pelo município |
| Prazos | Mais longos | Mais curtos (quando completo) |
| Exigência técnica | Padronizada | Mais detalhada e local |
| Fiscalização | Mais distante | Mais próxima e frequente |
O efeito prático já é percebido por quem atua na área: processos mais rápidos quando bem feitos, mas mais rigorosos quando há falhas.
Outro ponto discutido no curso foi a regularização de imóveis antigos, construídos sem licença. Esse tipo de situação é comum e, agora, passa a ser tratado com mais estrutura técnica.
O caminho não é simples. Envolve análise detalhada e, em muitos casos, compensação ambiental.
A presença de profissionais externos mostrou um movimento importante: a tentativa de alinhar linguagem, expectativa e responsabilidade entre setor público e iniciativa privada.
A abertura contou com Renato Archanjo de Castro e Gabrielle Evangelista, reforçando o caráter institucional do evento.
O ambiente foi de troca direta, sem formalidade excessiva. Perguntas práticas dominaram o debate — o tipo de dúvida que nasce no canteiro de obra, não na teoria.
O impacto não fica restrito ao papel. Ele chega rápido ao cotidiano de quem constrói, projeta ou regulariza.
A lógica é direta: quanto melhor o projeto, mais rápido ele anda.