O aterro sanitário de Caieiras, localizado na Região Metropolitana de São Paulo, está no centro de um projeto que pode ampliar significativamente a participação do biometano na matriz energética paulista nos próximos anos. A unidade, considerada uma das maiores estruturas de disposição de resíduos do mundo, deverá elevar sua capacidade de produção de combustível renovável dos atuais 67 mil metros cúbicos por dia para aproximadamente 400 mil metros cúbicos diários até 2030.
A expansão será realizada de forma gradual. A primeira etapa está prevista para entrar em operação em 2027, quando a capacidade deverá crescer em cerca de 110 mil metros cúbicos por dia. Em seguida, uma nova ampliação deverá elevar a produção para aproximadamente 220 mil metros cúbicos diários em 2028. O cronograma faz parte de uma estratégia de aproveitamento energético dos resíduos urbanos gerados na região.
O combustível renovável produzido em Caieiras tem origem na decomposição de resíduos orgânicos depositados no aterro. Durante esse processo ocorre a geração de gases que passam por etapas de tratamento até atingirem condições adequadas para utilização energética.
O biometano é considerado uma alternativa renovável ao gás natural convencional e vem ganhando espaço em projetos voltados à transição energética. Além de aproveitar resíduos que seriam descartados, o processo contribui para a redução de emissões associadas à decomposição de matéria orgânica.
Atualmente, a produção da unidade é distribuída na forma de gás natural comprimido transportado por carretas. A próxima fase do projeto pretende mudar essa dinâmica ao conectar diretamente a produção à infraestrutura tradicional de distribuição de gás canalizado.
A expansão depende da integração da planta produtora com a rede operada pela Comgás. Para isso, o projeto prevê a construção de aproximadamente 5,3 quilômetros de rede de conexão, além da implantação de uma Estação de Transferência de Custódia, conhecida tecnicamente como Bio-Citygate.
Essa estrutura funcionará como ponto de ligação entre a produção de biometano e o sistema convencional de distribuição de gás. Com isso, o combustível renovável poderá utilizar a mesma infraestrutura já existente para chegar aos consumidores.
Estudos citados pelo setor apontam que São Paulo possui potencial de oferta de aproximadamente 6,4 milhões de metros cúbicos diários de biometano no curto prazo. A utilização da infraestrutura já existente é vista como um dos fatores que podem acelerar esse crescimento.
A malha disponível soma aproximadamente 25 mil quilômetros de gasodutos e atende cerca de 3 milhões de usuários distribuídos em 180 municípios paulistas. A entrada de novos volumes de biometano nesse sistema pode ampliar a presença do combustível renovável em segmentos residenciais, comerciais e industriais.
Além do aspecto energético, o projeto também é observado sob a ótica econômica. A ampliação da oferta tende a aumentar a diversificação das fontes disponíveis para abastecimento, contribuindo para o fortalecimento da competitividade do mercado de gás.
A viabilização da iniciativa avançou após a aprovação da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) para a celebração do Termo de Utilização de Interconexão entre a rede da Comgás e a planta de produção de biometano operada pela Solví Essencis Ambiental em Caieiras, revelou o Canalsolar.
A autorização representa uma etapa fundamental para permitir que o combustível renovável produzido a partir dos resíduos urbanos passe a circular pela rede canalizada já existente no estado.
O avanço do projeto ocorre em um momento de expansão das discussões sobre segurança energética, diversificação de fontes e redução das emissões associadas ao setor de energia. Com as obras de conexão previstas e o cronograma de ampliação em andamento, a unidade de Caieiras deverá desempenhar papel relevante no crescimento do mercado de biometano paulista ao longo dos próximos anos, acompanhando a demanda crescente por combustíveis renováveis e infraestrutura energética de menor impacto ambiental.