Motoristas parceiros da Uber enfrentaram dificuldades para acessar os valores recebidos pelas corridas nos últimos dias, após uma instabilidade técnica que comprometeu operações de saque e transferência. Em alguns casos, o bloqueio do dinheiro durou mais de 24 horas, afetando diretamente o planejamento financeiro dos trabalhadores.
Os relatos se concentraram especialmente entre usuários que tentaram movimentar recursos no domingo, 26 de abril. Além da impossibilidade de sacar os valores, houve registros de aumento no tempo de espera para corridas e falhas na solicitação do serviço, indicando um impacto mais amplo no funcionamento da plataforma.
Motoristas afirmaram que não conseguiam acessar quantias acumuladas ao longo dos dias de trabalho. Em um dos casos, o valor bloqueado chegou a aproximadamente R$ 1.000, quantia que, segundo o profissional, seria utilizada para pagar a parcela do financiamento do veículo.
A dificuldade de acesso ao dinheiro levou parte dos motoristas a reconsiderar o uso da plataforma, com menções à possibilidade de priorizar outros aplicativos diante da instabilidade.
A Uber informou que a falha esteve relacionada à Uber Conta, serviço financeiro operado pelo Digio, banco digital ligado ao Bradesco. Segundo a empresa, a instabilidade afetou temporariamente saques e outras operações financeiras.
A empresa afirmou que o problema foi totalmente resolvido em 27 de abril e orientou motoristas a buscarem os canais oficiais de suporte em caso de dúvidas.
Apesar da normalização anunciada, a empresa não detalhou a origem técnica da falha nem respondeu diretamente aos questionamentos sobre o impacto para os motoristas durante o período.
O episódio ocorre em um cenário em que motoristas de aplicativos já operam com margens apertadas. Levantamento baseado em mais de 13 mil profissionais na América Latina aponta rendimento médio de cerca de US$ 7 por hora, equivalente a aproximadamente R$ 35.
Considerando uma jornada semanal de 44 horas, o ganho mensal bruto ultrapassa R$ 6 mil, mas esse valor precisa cobrir despesas operacionais.
Nesse contexto, qualquer atraso no repasse dos valores tem impacto imediato no orçamento dos motoristas, que dependem da liquidez diária para manter a atividade.
As queixas circularam rapidamente em grupos e redes sociais, com motoristas relatando frustração e insegurança em relação ao sistema de pagamentos. Alguns afirmaram que passaram a considerar reduzir a dependência da Uber, diversificando o uso de aplicativos.
Segundo o Estadao, a instabilidade também coincidiu com relatos de usuários enfrentando dificuldades para solicitar corridas, o que ampliou o alcance do problema para além da categoria de motoristas.
A normalização do sistema foi informada no dia 27 de abril, mas os efeitos do episódio seguem repercutindo entre profissionais que dependem da plataforma, enquanto a empresa não detalha medidas adicionais para evitar novas falhas semelhantes.