O Dia de São João chega a Osasco com sotaques diferentes, nomes que mudam conforme a região e uma certeza compartilhada por quase todo mundo: a comida ocupa um lugar central na festa. Em uma cidade formada por moradores vindos de várias partes do Brasil, as feiras livres ajudam a mostrar como essas tradições se encontram.
O passeio começa pelo milho, ingrediente que aparece em algumas das receitas mais conhecidas do período. Pamonha, bolo de milho, canjica, mungunzá e curau dividem espaço nas conversas, ainda que cada família defenda um nome, um preparo e uma lembrança diferente.
A discussão não termina na receita. Até os ingredientes mudam de identidade conforme a origem de quem cozinha. O que alguns chamam de mandioca pode ser conhecido como aipim ou macaxeira, sem que isso altere sua presença em bolinhos e outros pratos servidos durante as festas juninas.
O gengibre aparece como ingrediente indispensável para o quentão, bebida tradicional preparada nas noites mais frias. O amendoim abre caminho para paçoca, pé de moleque e outras receitas que atravessam gerações.
A maçã também entra na lista, seja no vinho quente ou coberta pela calda vermelha da maçã do amor. São preparos reconhecidos em diferentes partes do país e capazes de aproximar costumes paulistas, nordestinos e de outras regiões.
Em Osasco, a tradição junina ganha força justamente porque os mesmos ingredientes carregam nomes, histórias e formas de preparo diferentes.
As feiras livres funcionam como ponto de encontro entre quem procura os produtos e quem conhece o melhor uso de cada ingrediente. O carrinho de compras se transforma em uma espécie de roteiro culinário, passando do milho ao gengibre, da mandioca ao amendoim.
Essa mistura ajuda a explicar por que a festa de São João mantém força mesmo longe dos grandes arraiais. Ela sobrevive dentro das casas, nas receitas de família e nas conversas sobre qual versão é a mais autêntica.
Em Osasco, a diversidade dos moradores amplia esse repertório. Cada região traz uma referência, mas o encontro entre essas tradições produz uma mesa maior e mais variada.
No dia 24 de junho, as feiras da cidade seguem como endereço para encontrar os ingredientes que mantêm vivas as receitas juninas e abastecem as celebrações realizadas nas casas e nos bairros.