O governo federal inicia nesta segunda-feira, 26 de maio, a liberação do saldo residual do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e foram demitidos sem justa causa entre os anos de 2020 e 2025. A medida atinge mais de 10,5 milhões de pessoas e movimenta R$ 8,4 bilhões, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Os valores serão depositados automaticamente nas contas bancárias cadastradas no aplicativo oficial do FGTS. A operação foi autorizada por medida provisória publicada em dezembro do ano passado e representa uma mudança relevante para trabalhadores que haviam ficado com parte dos recursos bloqueados após a demissão.
O saque-aniversário permite retiradas anuais de parte do saldo do fundo, mas impõe uma limitação importante: quem adere à modalidade perde o direito de sacar integralmente o FGTS em caso de demissão sem justa causa, mantendo acesso apenas à multa rescisória. Com isso, muitos trabalhadores dispensados durante os últimos anos ficaram sem acesso ao saldo completo disponível nas contas vinculadas.
A nova etapa de pagamentos contempla trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e foram desligados sem justa causa entre janeiro de 2020 e maio de 2025. O dinheiro liberado corresponde ao chamado saldo residual, valor que permanecia retido após a rescisão do contrato de trabalho.
Segundo o Ministério do Trabalho, o crédito ocorrerá automaticamente para quem possui conta cadastrada no aplicativo do FGTS. Já os trabalhadores sem conta vinculada deverão procurar canais físicos da Caixa Econômica Federal para realizar o saque até 1º de junho de 2026.
Os saques poderão ser feitos com Cartão Cidadão e senha, biometria cadastrada ou senha do cidadão nos terminais eletrônicos. Para valores superiores a R$ 3 mil, a retirada será permitida apenas nas agências da Caixa.
Nem todo o dinheiro disponível nas contas do FGTS será liberado automaticamente. O governo informou que continuarão bloqueados os valores utilizados como garantia em operações de antecipação do saque-aniversário contratadas junto a bancos e instituições financeiras.
Nesse tipo de operação, comum nos últimos anos, trabalhadores anteciparam parcelas futuras do FGTS por meio de empréstimos vinculados ao saldo do fundo. Nesses casos, a liberação segue condicionada às cláusulas previstas em cada contrato firmado com as instituições financeiras.
Segundo o Ministério do Trabalho, os valores deixaram temporariamente de aparecer nas contas antes do dia 25 de maio devido ao processamento da operação de liberação.
A expectativa do governo é concluir os depósitos automáticos já nos próximos dias, enquanto os atendimentos presenciais nas unidades da Caixa devem concentrar parte da demanda de trabalhadores sem conta bancária cadastrada no aplicativo oficial do FGTS, revelou o Infomoney.
O saque residual do FGTS é um valor que permanece disponível na conta do trabalhador mesmo após um saque anterior já ter sido realizado. Esse saldo pode surgir por depósitos atrasados da empresa, correções monetárias, juros ou diferenças liberadas posteriormente pela Caixa.
Na prática, funciona como um dinheiro “esquecido” ou complementar que ainda ficou vinculado ao Fundo de Garantia. Em muitos casos, o trabalhador só percebe a existência do valor ao consultar o aplicativo FGTS ou o extrato atualizado da conta.
A consulta pode ser feita pelo aplicativo FGTS, site da Caixa Econômica Federal ou diretamente em agências bancárias. Quando existe saldo disponível, o sistema normalmente identifica o valor como “saque residual” ou “saldo residual”.