O Santos decidiu levar ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva a polêmica envolvendo Neymar na derrota por 3 a 0 para o Coritiba, no último domingo, pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro. O clube protocolou uma ação pedindo a anulação da partida sob alegação de erro de direito da arbitragem durante uma substituição no segundo tempo.
A jogada que originou a disputa aconteceu aos 19 minutos da etapa final, quando Neymar estava fora do campo recebendo atendimento na região da panturrilha. Naquele momento, o quarto árbitro levantou a placa indicando a entrada de Robinho Júnior na vaga do camisa 10.
Segundo o Santos, a alteração preparada pela comissão técnica previa a saída de Escobar, não de Neymar. O atacante tentou retornar ao gramado imediatamente após perceber a troca, mas foi impedido pela arbitragem e acabou advertido com cartão amarelo.
Na manifestação enviada ao STJD, o Santos afirma que a arbitragem contrariou uma orientação da própria comissão técnica e ignorou o protocolo oficial de substituições adotado pela FIFA.
“O que está em discussão não é performance técnica ou resultado do jogo, mas a defesa da instituição e das regras da FIFA”, afirmou o clube em nota oficial.
O episódio gerou revolta no banco santista e aumentou a tensão dentro da Neo Química Arena. Neymar chegou a mostrar ao quarto árbitro o papel entregue pela comissão técnica, documento que, segundo o clube, indicava claramente a saída do lateral argentino Escobar.
A súmula da partida, no entanto, apresentou uma versão diferente. O árbitro Paulo Cesar Zanovelli relatou que o auxiliar técnico César Sampaio confirmou verbalmente a saída de Neymar enquanto a papeleta era preenchida junto ao delegado da partida.
Após a repercussão do caso, César Sampaio assumiu a responsabilidade pelo episódio e descreveu a sequência que terminou com a troca equivocada.
Segundo ele, a comissão técnica solicitou inicialmente a entrada de Juninho na vaga de Escobar, identificado pela numeração 7 pelo 31. Enquanto a substituição era preparada, Neymar deixou o campo reclamando de dores na panturrilha.
Sampaio afirmou ter pedido ao quarto árbitro para aguardar uma definição sobre as condições físicas do camisa 10 antes da troca ser confirmada. O problema, segundo ele, ocorreu porque o quarto árbitro já estava com o papel da alteração em mãos e teria antecipado a decisão.
“O Bruno estava com o papel na mão e acabou se precipitando na substituição. O Ney tentou voltar ainda, mas depois do procedimento concluído não dava mais para voltar atrás”, declarou César Sampaio.
O departamento jurídico santista sustenta que o episódio ultrapassa interpretação de arbitragem ou erro técnico de campo. A estratégia do clube é enquadrar o caso como erro de direito, situação em que há descumprimento objetivo da regra oficial do jogo.
A diferença é considerada central para o processo. Em casos de interpretação de lance, o STJD tradicionalmente evita interferência no resultado esportivo. Já em situações envolvendo aplicação incorreta da regra, o tribunal pode analisar pedidos de anulação.
Enquanto aguarda a tramitação da ação, o Santos tenta manter o foco na sequência da temporada. O clube volta a campo nesta semana pela Copa Sul-Americana diante do San Lorenzo, em partida considerada decisiva para a situação da equipe na competição continental.
Nos bastidores, dirigentes aguardam o posicionamento inicial do tribunal sobre o pedido protocolado, enquanto a súmula da partida e os relatos da comissão técnica seguem no centro da discussão jurídica aberta após a confusão envolvendo Neymar, revelou o Ge.