A decisão da CBF de não cortar Neymar imediatamente da lista da Copa do Mundo movimentou os bastidores da Seleção Brasileira nas últimas horas e expôs um ambiente de pressão dentro da Granja Comary. Mesmo após a confirmação de uma lesão grau 2 na panturrilha direita, a direção da confederação e a comissão técnica optaram por manter o atacante do Santos entre os 26 convocados enquanto monitoram sua evolução física diariamente.
A avaliação interna é de que ainda existe margem para recuperação antes do encerramento do prazo oficial de substituições na lista do Mundial. O limite para uma troca definitiva termina em 12 de junho, apenas 24 horas antes da estreia da Seleção diante de Marrocos.
O cenário atual, porém, trata como improvável a presença de Neymar no primeiro jogo da Copa. A tendência é que o atacante tenha condições de retornar apenas na segunda rodada da fase de grupos, contra o Haiti, marcada para 19 de junho, na Filadélfia.
A situação provocou desconforto interno na confederação após a apresentação do jogador em Teresópolis. Integrantes da CBF entenderam que receberam informações diferentes das detectadas nos exames realizados já sob supervisão da Seleção.
O Santos havia comunicado anteriormente que Neymar apresentava apenas um edema muscular e poderia iniciar os treinamentos normalmente durante a preparação para a Copa do Mundo. Após nova bateria de exames, porém, o departamento médico da Seleção confirmou um estiramento grau 2 na panturrilha.
O entendimento dentro da CBF é de que houve divergência relevante entre o diagnóstico apresentado inicialmente e a condição física encontrada na chegada do jogador.
A lesão ocorreu no dia 17 de maio, durante a derrota do Santos por 3 a 0 para o Coritiba pelo Campeonato Brasileiro. Desde então, o atacante não voltou a atuar.
Mesmo diante da gravidade muscular confirmada, a comissão técnica liderada por Carlo Ancelotti preferiu não antecipar uma decisão definitiva. A avaliação é de que um corte imediato poderia retirar da equipe um jogador considerado decisivo em partidas eliminatórias, especialmente em um torneio curto como a Copa do Mundo.
O chefe do departamento médico da CBF, Rodrigo Lasmar, trabalha com prazo de recuperação entre duas e três semanas a partir desta quinta-feira. Isso coloca Neymar em uma corrida contra o tempo para recuperar condição física mínima antes da fase de grupos.
Enquanto segue em tratamento intensivo, Neymar ficará fora dos amistosos preparatórios contra Panamá e Egito. O primeiro compromisso será neste domingo, às 18h, no Maracanã. Depois disso, a delegação embarca para os Estados Unidos na próxima segunda-feira.
A ausência do camisa 10 obriga a comissão técnica a reorganizar o setor ofensivo da equipe justamente no período mais delicado da preparação para o Mundial. A tendência é que a Seleção utilize os amistosos como testes para um possível cenário sem Neymar nas primeiras partidas.
Além da preocupação esportiva, a situação também aumentou a pressão sobre o ambiente interno da equipe. A repercussão da lesão dominou os bastidores da concentração e gerou preocupação entre dirigentes diante da dependência técnica da Seleção em torno do atacante, revelou o Ge.
A definição final sobre a permanência de Neymar dependerá da resposta física apresentada nos próximos dias. Até lá, o atacante seguirá em tratamento supervisionado integralmente pelo departamento médico da Seleção nos Estados Unidos.
Foto de capa: Foto: Rafael Ribeiro/CBF.