Michelle Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (6) que assumiu integralmente os cuidados com Jair Bolsonaro desde que o ex-presidente passou a cumprir prisão domiciliar em Brasília. Em uma publicação nas redes sociais, a ex-primeira-dama descreveu momentos da rotina doméstica ao lado do marido após a cirurgia realizada no ombro direito e disse que talvez nunca tenha alguém ao seu lado disposto a cuidar dela da mesma maneira.
Segundo Michelle, o comentário surgiu enquanto ajudava Bolsonaro após o banho. Ela contou que auxilia o ex-presidente em tarefas básicas da recuperação física, incluindo vestir o pijama, secar as pernas e cuidar do cabelo para evitar que ele durma com os fios molhados.
“Talvez eu não tenha, ao meu lado, um companheiro que um dia cuide de mim assim”, escreveu Michelle em trecho da publicação.
O desabafo foi feito dois dias depois de Bolsonaro retornar para casa após passar por uma cirurgia no ombro direito. O procedimento ocorreu em 1º de maio para tratar duas lesões no manguito rotador e exigiu autorização do ministro Alexandre de Moraes, do STF, já que o ex-presidente cumpre pena em regime domiciliar.
Desde que Bolsonaro deixou a penitenciária conhecida como Papudinha, em março, Michelle passou a concentrar a maior parte da rotina na recuperação do marido. Aliados próximos afirmam que ela administra medicações em diferentes horários ao longo do dia, acompanha a alimentação e supervisiona os cuidados médicos dentro da residência.
A nova rotina provocou mudanças também na atuação política da ex-primeira-dama. Michelle reduziu viagens pelo país e se afastou temporariamente das articulações ligadas ao PL Mulher, braço feminino do partido comandado por Valdemar Costa Neto.
Pessoas próximas relatam que a carga doméstica aumentou significativamente após a transferência de Bolsonaro para prisão domiciliar. Internamente, integrantes do partido chegaram a afirmar que Michelle estaria “presa junto” com o ex-presidente por causa da dedicação integral aos cuidados diários.
A ida de Bolsonaro para prisão domiciliar ocorreu após autorização concedida pelo ministro Alexandre de Moraes em março. A decisão levou em consideração o quadro de saúde do ex-presidente, que havia sido internado com broncopneumonia.
Michelle participou diretamente das articulações para tentar obter a mudança de regime. Ela esteve pessoalmente no gabinete de Moraes no dia 23 de março. No dia seguinte, o ministro autorizou a transferência do ex-presidente para casa.
Na ocasião, Michelle afirmou que diversas pessoas atuaram para convencer o Supremo sobre a necessidade da medida humanitária.
Após receber alta hospitalar na segunda-feira (4), Bolsonaro iniciou o período de recuperação em casa utilizando tipoia. A recomendação médica prevê imobilização por cerca de seis semanas antes do início da fisioterapia intensiva.
O médico responsável pela cirurgia afirmou que o processo completo de recuperação poderá durar entre seis e nove meses, dependendo da resposta do ex-presidente ao tratamento e à reabilitação física.
Mesmo com dores na mão e limitações físicas relatadas na publicação, Michelle afirmou que se sente em paz ao cuidar do marido durante esse período. Ela também agradeceu Bolsonaro por “não desistir” diante das investigações e condenações impostas pela Justiça.
Segundo a Folha, enquanto o tratamento avança dentro da residência em Brasília, aliados políticos acompanham a possibilidade de novas restrições judiciais e aguardam definições sobre os próximos desdobramentos envolvendo a situação do ex-presidente no STF.