A comerciante Catrini Nunes, de 31 anos, imaginava chamar atenção apenas entre clientes da própria cidade quando decidiu comprar 2 mil pacotes de figurinhas da Copa do Mundo para abrir com o filho e dois sobrinhos. O vídeo publicado nas redes sociais saiu rapidamente do controle regional e colocou a pequena operação montada em Sombrio, no Sul de Santa Catarina, no centro de uma onda nacional de colecionadores.
Em duas semanas, a movimentação dentro da livraria e loja geek administrada por ela mudou completamente. Os pacotes desapareceram das prateleiras, as vendas online dispararam e as figurinhas repetidas passaram a circular para compradores de diferentes estados.
O lote inicial adquirido pela comerciante gerou cerca de 14 mil figurinhas. Parte delas foi separada para completar o álbum compartilhado pelas crianças da família. O restante virou estoque para venda avulsa e para um evento de trocas organizado dentro do shopping onde as lojas funcionam.
O caso ganhou ainda mais repercussão quando a comerciante explicou que algumas figurinhas especiais, conhecidas entre colecionadores como extra stickers ou legends, podem atingir valores entre R$ 50 e R$ 500 dependendo do jogador e da raridade.
As versões lilás, bronze, prata e ouro se tornaram alvo de procura intensa em grupos de colecionadores, plataformas digitais e marketplaces especializados. O interesse transformou um hábito tradicional de Copa do Mundo em um mercado paralelo que mistura coleção, revenda online e especulação sobre cards raros.
O vídeo publicado em 7 de maio ultrapassou 4,5 milhões de visualizações até a tarde desta quarta-feira (20).
A repercussão levou Catrini a ampliar o investimento. Depois de vender todas as repetidas e registrar aumento na procura pelos pacotes fechados, ela comprou outros 6 mil pacotinhos para abastecer as lojas.
A ideia inicial surgiu como uma solução simples para evitar dificuldade na busca pelas figurinhas faltantes do álbum. Segundo a comerciante, abrir os pacotes em grande quantidade permitiria separar as repetidas e facilitar trocas ou vendas avulsas para outros colecionadores.
O planejamento comercial também foi favorecido pelo desconto recebido como lojista. Catrini afirmou que consegue comprar caixas fechadas com mil pacotes por R$ 5,6 mil, utilizando abatimento de 20% oferecido para comerciantes.
A aproximação da Copa do Mundo de 2026 recolocou os álbuns de figurinhas entre os assuntos mais compartilhados nas plataformas digitais. Vídeos de abertura de pacotes, trocas de cards raros e reações de crianças passaram a ocupar espaço semelhante ao visto em edições anteriores do torneio.
Em Santa Catarina, o caso chamou atenção justamente pela escala da compra e pela velocidade da repercussão. O vídeo gravado dentro da loja acabou funcionando como uma vitrine involuntária para um mercado que cresce durante períodos de grandes eventos esportivos.
Além da venda presencial, a comerciante passou a receber pedidos online de diferentes regiões do país. Parte dos compradores procura figurinhas específicas para completar o álbum. Outros tentam encontrar cards raros antes da valorização entre colecionadores.
Das 14 mil figurinhas abertas inicialmente, cerca de 2 mil foram reservadas para um evento de trocas programado pela comerciante nas lojas instaladas no shopping de Sombrio. A expectativa é aumentar o fluxo de visitantes durante as próximas semanas, impulsionado pela repercussão nas redes sociais.
Segundo o G1, enquanto os pacotes seguem disputados por clientes e colecionadores, a comerciante continua recebendo mensagens de interessados em figurinhas específicas, principalmente as versões especiais consideradas mais difíceis de encontrar.