A reunião entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, marcada para esta quinta-feira (7) em Washington, deve colocar no centro das discussões temas econômicos considerados estratégicos para os dois países. Entre eles estão terras raras, tarifas comerciais, segurança pública e a investigação aberta pelos Estados Unidos contra práticas comerciais brasileiras.
A viagem do presidente brasileiro acontece após a Casa Branca confirmar oficialmente o encontro. O governo americano classificou a agenda como uma visita de trabalho, modelo menos protocolar do que uma visita de Estado, mas que ainda prevê tratamento diplomático especial e reuniões reservadas entre autoridades dos dois países.
O presidente Lula chega a Washington na noite desta quarta-feira (6) para um encontro que já mobiliza setores da diplomacia brasileira e integrantes da equipe econômica do governo. A reunião com Donald Trump está prevista para acontecer na quinta-feira (7), na Casa Branca.
O governo americano confirmou a agenda e informou que os presidentes devem discutir temas ligados à economia e à segurança. A expectativa é que o encontro também trate de medidas comerciais que podem afetar diretamente o Brasil.
O cerimonial da Casa Branca realizou reuniões com representantes da Embaixada do Brasil em Washington para definir detalhes do encontro. Ficou acertado que cada presidente poderá participar acompanhado de até cinco integrantes da equipe oficial.
Do lado brasileiro, devem acompanhar Lula os ministros Dario Durigan, da Fazenda, Wellington César Lima, da Justiça, Mauro Vieira, das Relações Exteriores, Marcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A área econômica concentra parte das preocupações do governo brasileiro. Entre os assuntos previstos estão negociações sobre terras raras e questões tarifárias envolvendo exportações brasileiras.
Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que o encontro pode servir para reduzir tensões após os Estados Unidos abrirem uma investigação comercial contra o Brasil. O processo pode resultar em novas sanções econômicas.
Entre os pontos questionados pelos americanos estão práticas relacionadas ao comércio popular na região da 25 de Março, em São Paulo, além do sistema de pagamentos Pix, que passou a aparecer em debates comerciais conduzidos pelo governo americano.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que Lula deve pedir o encerramento da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil.
A fala foi dada em entrevista à Globonews. Segundo Alckmin, o governo brasileiro tenta evitar que o processo avance para medidas que afetem empresas e setores exportadores.
Outro tema considerado prioritário pela equipe de Lula é a discussão sobre crime organizado internacional. O governo brasileiro pretende tratar da cooperação entre os dois países na área de segurança pública.
Um dos objetivos da diplomacia brasileira é impedir que organizações criminosas brasileiras sejam enquadradas pelos Estados Unidos como grupos terroristas. O tema ganhou força após setores políticos americanos defenderem medidas mais duras contra facções criminosas da América Latina.
A presença do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entre os integrantes da comitiva brasileira reforça o peso da pauta de segurança dentro da viagem presidencial.
Apesar da relevância política, o encontro não terá o formato de visita de Estado. O modelo adotado será o de visita de trabalho, considerado menos formal pela diplomacia americana.
Na prática, isso reduz parte das cerimônias tradicionais e limita eventos públicos mais amplos. Ainda assim, há previsão de reuniões privadas, encontros entre ministros e discussões técnicas entre representantes dos dois governos.
A viagem acontece em meio a uma série de tensões internacionais envolvendo os Estados Unidos. Nas últimas horas, o governo americano também concentrou esforços diplomáticos em discussões ligadas ao Irã, ao estreito de Ormuz e a negociações internacionais de segurança.
Enquanto Lula embarca para Washington, integrantes do governo brasileiro acompanham os desdobramentos da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos, considerada hoje um dos principais focos de preocupação dentro da área econômica do Planalto.