A Bolsa brasileira encerrou a quarta-feira sob forte pressão e registrou o pior fechamento desde janeiro. O Ibovespa caiu 2,22%, aos 170.330 pontos, em um pregão marcado pela combinação de fatores externos e domésticos que ampliaram a cautela dos investidores.
O movimento reduziu os ganhos acumulados do índice em 2026 para 5,71%. O volume financeiro negociado alcançou R$ 28,7 bilhões.
Entre os principais motivos para a queda estiveram o anúncio de novas tarifas comerciais propostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, a valorização global do dólar, a alta dos juros futuros e o agravamento das tensões entre Washington e Teerã.
A proposta americana prevê tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros dentro de uma investigação comercial relacionada ao combate ao trabalho forçado. A medida também alcança dezenas de outros países e ampliou a percepção de risco entre investidores globais.
O ambiente externo contribuiu para a deterioração do humor dos mercados.
Os contratos internacionais de petróleo registraram forte valorização ao longo do dia. O barril do WTI para julho fechou a US$ 96,02, enquanto o Brent para agosto encerrou próximo de US$ 97,81.
Ao mesmo tempo, os principais índices de Nova York terminaram em queda.
| Índice | Variação |
|---|---|
| S&P 500 | -0,74% |
| Dow Jones | -1,21% |
| Nasdaq | -0,89% |
Outro fator acompanhado pelos investidores foi a divulgação do relatório ADP de emprego nos Estados Unidos. O setor privado criou 122 mil vagas em maio, acima da expectativa de mercado de 120 mil postos de trabalho.
Os números reforçaram a atenção dos agentes financeiros para o payroll, relatório oficial de emprego americano que será divulgado na sexta-feira.
No mercado de câmbio, a moeda americana avançou 1,14% e encerrou o dia cotada a R$ 5,0668.
A busca por proteção diante das incertezas globais favoreceu o fortalecimento do dólar frente a diversas moedas emergentes.
O avanço da moeda americana ocorreu em paralelo à elevação dos rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos e ao aumento das preocupações com possíveis impactos inflacionários decorrentes da disparada do petróleo.
Mesmo em um pregão amplamente negativo, algumas ações conseguiram se destacar.
A principal alta do Ibovespa foi registrada pela Copasa.
| Ação | Alta | Fechamento |
|---|---|---|
| CSMG3 | 13,34% | R$ 60,00 |
| BEEF3 | 2,29% | R$ 3,58 |
| SUZB3 | 1,95% | R$ 41,22 |
Os papéis da companhia mineira avançaram após informações de mercado indicarem uma nova proposta apresentada para participação como investidor de referência da empresa.
A Minerva também ficou entre os destaques positivos depois de uma mudança na recomendação feita por analistas internacionais.
Já a Suzano foi beneficiada pela valorização do dólar, cenário que costuma favorecer exportadoras com receitas atreladas ao mercado externo.
Na ponta oposta, empresas mais sensíveis ao cenário econômico sofreram forte pressão.
| Ação | Queda | Fechamento |
|---|---|---|
| AZZA3 | -8,48% | R$ 17,38 |
| HAPV3 | -8,26% | R$ 11,22 |
| CSAN3 | -7,73% | R$ 3,58 |
A Azzas 2154 registrou a maior queda do índice. Hapvida e Cosan completaram a lista das maiores perdas em um dia marcado pelo avanço dos juros futuros e pelo aumento da aversão ao risco.
Nem mesmo empresas ligadas às commodities conseguiram escapar totalmente da pressão. A Vale caiu 3,78%, enquanto as ações da Petrobras encerraram o pregão no vermelho apesar da valorização do petróleo no mercado internacional.
Com o Ibovespa renovando o menor fechamento desde janeiro, investidores agora voltam suas atenções para os próximos desdobramentos das tarifas americanas, para os indicadores de emprego nos Estados Unidos e para a evolução das tensões geopolíticas que seguem influenciando os mercados globais.