A segunda edição do Festival de Teatro de Caieiras, o Festeca, será dedicada à memória de Gerson Luiz Candido de Oliveira, conhecido artisticamente como Gerson Kan, um dos nomes que ajudaram a transformar o teatro local em espaço de criação, amizade e pertencimento.
Nascido em 10 de novembro de 1970, em São Paulo, Gerson era filho de Dirce Candido de Oliveira e José Luiz de Oliveira Filho. Passou parte da infância na Vila Zatt, em Pirituba, antes de se mudar com a família para a Vila Rosina, em Caieiras, cidade que adotaria como parte essencial de sua vida.
A ligação com o palco começou em 1995, quando ingressou no Curso Livre de Teatro do Centro Cultural. Aluno de Antônio Sergio de Camargo, destacou-se rapidamente pela potência vocal, pela presença cênica e pela disposição para participar de montagens, ensaios e intervenções.
Em 1996, integrou a primeira edição da Paixão de Cristo de Caieiras e permaneceu no espetáculo até 2005. Também atuou em Médico à Força, Sonho de Uma Noite de Verão, Capeta de Caruaru, Ópera do Malandro e Missa Para uma Terra Sem Males.
Nesta última produção, o júri do Mapa Cultural Paulista decidiu premiar todo o elenco como melhor ator coadjuvante, por considerar impossível destacar apenas um integrante da companhia. Entre seus personagens mais lembrados estão Judas, na Paixão de Cristo de 1997, e Oberon, nas montagens de Sonho de Uma Noite de Verão realizadas em 1997 e 2001.
Gerson também escreveu e protagonizou o monólogo João Brasil, dirigido por Thiago de Oliveira Leite, um de seus melhores amigos. Foi dele a sugestão do nome Arcanjos para a primeira companhia de teatro da cidade.
Formado em Engenharia em 1998, Gerson nunca abandonou o teatro. Casou-se em 2003 com Ana Priscila, companheira do curso, e tornou-se uma segunda liderança da Cia Arcanjos ao lado de Antônio Sergio de Camargo.
Nos ensaios do Centro Cultural e nos encontros na antiga sorveteria Yellow Ice, ajudava os mais novos, compartilhava conhecimentos, mediava conflitos e organizava peças e partidas de RPG. Também criou o gesto de bater os braços no peito ao grito de “Uhu Uhu Uhu”, que virou símbolo do grupo.
Gerson morreu em 2005, após uma infecção generalizada. O Festeca retoma agora sua trajetória para apresentar às novas gerações o artista que preferiu construir sua história em Caieiras e que permaneceu ligado à companhia até o último ano de vida.