O endividamento das famílias brasileiras alcançou 49,9% em fevereiro de 2026, o maior nível da série histórica iniciada em janeiro de 2005 pelo Banco Central. O dado indica que quase metade da renda disponível acumulada em 12 meses está comprometida com dívidas, refletindo a intensificação da pressão financeira sobre os orçamentos domésticos.
A elevação foi de 0,1 ponto percentual em relação a janeiro, consolidando uma trajetória de crescimento observada nos últimos meses. O índice repete o pico registrado em julho de 2022, após um período de recuo parcial que foi revertido recentemente.
O comprometimento da renda mensal das famílias com dívidas atingiu 29,7% em fevereiro, também o maior patamar desde o início da série histórica, iniciada em março de 2005. Em comparação com janeiro, houve aumento de 0,2 ponto percentual, enquanto no acumulado de 12 meses a alta foi de 1,9 ponto percentual.
Esse indicador considera quanto da renda mensal está sendo direcionado para o pagamento de dívidas, incluindo juros e amortizações.
Ao excluir os financiamentos imobiliários, o endividamento ficou em 31,4% em fevereiro, também com avanço de 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior.
Entre os principais fatores associados ao aumento do endividamento está o uso crescente de modalidades de crédito com juros elevados. O cartão de crédito rotativo segue como um dos principais vetores dessa pressão.
Segundo a Folha, em março de 2026, a taxa de juros do rotativo atingiu 428,3%, enquanto o volume concedido nessa modalidade somou R$ 109,7 bilhões no primeiro trimestre do ano. O valor representa crescimento de 9,7% em comparação com o mesmo período de 2025, quando o montante havia sido de R$ 99,9 bilhões.
A deterioração do quadro financeiro das famílias ocorre em paralelo à percepção de insuficiência de renda. Pesquisa realizada com 2.002 pessoas em 117 municípios, nos dias 8 e 9 de abril de 2026, aponta que 59% dos brasileiros afirmam que a renda não é suficiente para cobrir todas as despesas.
Dentro desse grupo:
Entre famílias com renda de até dois salários mínimos, estimados em R$ 3.036 em 2026, o cenário é mais crítico: 73% relatam insuficiência financeira.
Diante da escalada do endividamento, o governo federal trabalha na formulação de um novo programa de renegociação de dívidas, previsto para ser anunciado em 01 de maio de 2026. A proposta, em discussão com bancos públicos e privados, deve permitir a utilização de recursos do FGTS para quitação de débitos.
Entre os pontos em análise está a definição do prazo de atraso das dívidas elegíveis e possíveis restrições ao acesso a novas linhas de crédito para beneficiários do programa, especialmente aquelas com juros elevados.
O avanço do endividamento ocorre simultaneamente ao aumento do custo do crédito e à dificuldade das famílias em equilibrar renda e despesas
A reunião entre representantes da equipe econômica e executivos de instituições financeiras está marcada para 27 de abril de 2026, com o objetivo de consolidar os parâmetros do programa antes do anúncio oficial.