O governo federal finaliza os detalhes do Desenrola 2.0, nova versão do programa de renegociação de dívidas, com anúncio previsto para esta semana. A proposta inclui mudanças relevantes na forma como consumidores poderão quitar débitos, com destaque para o uso parcial do FGTS e condições mais agressivas de desconto.
A medida foi discutida com representantes de bancos públicos, privados e fintechs, após reuniões realizadas no dia 27/04/2026. A expectativa do Ministério da Fazenda é colocar o programa em operação imediatamente após o anúncio oficial.
Uma das principais mudanças é a possibilidade de utilizar até 20% do saldo do FGTS para pagamento de dívidas. O valor poderá ser direcionado diretamente para a quitação ou renegociação dos débitos incluídos no programa.
Segundo o desenho apresentado, o saque será limitado e vinculado ao valor da dívida, sem obrigatoriedade de utilizar todo o saldo disponível.
O Desenrola 2.0 deve oferecer reduções que variam entre 20% e 90% do valor total das dívidas, incluindo juros e encargos. A medida busca atingir principalmente débitos com taxas elevadas, como cartão de crédito e cheque especial.
Os juros previstos para renegociação devem ficar abaixo de 2% ao mês, bem inferiores aos níveis atuais, que podem chegar a 10% em algumas modalidades
Além da redução no valor total, o programa também prevê acesso a novas linhas de crédito com condições mais favoráveis após a regularização da situação financeira.
O programa será implementado em fases, com prioridade inicial para pessoas físicas. Em etapas posteriores, devem ser incluídos trabalhadores informais e pequenas empresas.
A estratégia busca atacar o aumento do endividamento das famílias, que atingiu 49,9% em fevereiro de 2026, segundo dados do Banco Central.
Para participar do programa, os beneficiários deverão aceitar restrições relacionadas ao uso de crédito. A proposta inclui bloqueios a modalidades consideradas mais caras.
A medida tenta evitar que consumidores retornem ao ciclo de endividamento após a renegociação.
A inclusão do FGTS no programa gerou reações de entidades do setor produtivo. A avaliação é que a medida pode comprometer a função original do fundo, voltada à proteção do trabalhador e ao financiamento habitacional.
| Desconto máximo | 90% |
| Juros estimados | até 2% ao mês |
| Endividamento das famílias | 49,9% |
| Comprometimento de renda | 29,7% |
Segundo a CNN, o desenho final do programa foi apresentado ao setor financeiro, com participação de instituições como Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e BTG, além da Febraban.
O governo trabalha para anunciar oficialmente o Desenrola 2.0 ainda nesta semana, com início imediato das operações, enquanto bancos ajustam sistemas para viabilizar a renegociação em larga escala.