O governo federal avança na formulação do Desenrola 2.0, nova etapa do programa de renegociação de dívidas voltado a pessoas físicas, com previsão de lançamento em 01 de maio de 2026. A proposta incorpora mudanças nas regras de acesso e impõe condições para utilização de recursos do FGTS, além de estabelecer limites para os juros cobrados nos acordos.
A principal alteração envolve o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. O trabalhador só poderá utilizar o saldo disponível se ele for suficiente para quitar integralmente a dívida em aberto, sem possibilidade de uso parcial para amortização.
Na prática, isso significa que um débito de R$ 2.000 poderá ser pago com FGTS apenas se o saldo disponível for igual ou superior a esse valor. Caso a dívida seja de R$ 2.500 e o trabalhador possua menos do que isso, o acesso ao recurso será impedido.
O novo programa prevê a aplicação de uma taxa máxima de juros de 1,99% ao mês para dívidas renegociadas, abaixo dos 2,5% inicialmente considerados nas discussões. A medida busca reduzir o custo financeiro dos acordos e ampliar a adesão de devedores.
Além disso, o governo trabalha com a expectativa de que instituições financeiras concedam descontos que podem chegar a 80% ou até 90% do valor total devido, especialmente em casos de dívidas mais antigas.
O foco inicial do Desenrola 2.0 será em dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado. As pendências elegíveis devem incluir atrasos entre 61 dias e até três anos, com possibilidade de ajustes na definição final.
O desenho do programa também inclui mecanismos para evitar que os beneficiários voltem a se endividar após a renegociação. Entre as propostas em análise está a limitação do acesso a linhas de crédito consideradas mais caras, além de possíveis restrições relacionadas ao uso de plataformas de apostas.
O governo busca reduzir o estoque de dívidas sem estimular a criação de novos débitos no curto prazo
Para viabilizar os descontos e reduzir o risco das instituições financeiras, o governo pretende utilizar o Fundo Garantidor de Operações como respaldo aos novos contratos renegociados. Em caso de inadimplência, o Tesouro Nacional poderá cobrir eventuais perdas.
As discussões sobre o aporte ao fundo ainda estão em andamento, com estimativas que variam entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões.
| Elemento | Detalhe previsto |
| FGTS | Uso permitido apenas para quitação total |
| Juros | Limite de 1,99% ao mês |
| Descontos | Podem chegar a 90% |
| Garantia | Fundo Garantidor com recursos públicos |
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem agenda com representantes de bancos públicos e privados nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, em São Paulo, para fechar os pontos finais do programa e resolver divergências ainda existentes.
As reuniões ocorrem em meio ao avanço do endividamento das famílias, que atingiu 49,9% da renda disponível em fevereiro, e ao aumento do comprometimento mensal com dívidas, que chegou a 29,7%.
O desenho final do Desenrola 2.0 ainda está em discussão e pode sofrer ajustes antes do lançamento previsto para o Dia do Trabalhador, enquanto governo e sistema financeiro buscam um modelo que amplie a renegociação sem pressionar ainda mais o crédito no país.