Um estudo publicado em 20 de abril de 2026 na revista médica JAMA Network Open identificou uma associação entre cochilos diurnos prolongados e frequentes e o aumento do risco de mortalidade em adultos mais velhos. A pesquisa acompanhou 1.338 participantes com 56 anos ou mais durante um período de 19 anos.
Os dados foram coletados por meio de dispositivos de monitoramento usados no pulso por dez dias consecutivos, permitindo mapear padrões detalhados de repouso e atividade. A análise considerou duração, frequência, horário e variações dos cochilos ao longo do tempo.
Os resultados apontaram que o aumento no tempo dedicado aos cochilos está diretamente associado a maior risco de morte por qualquer causa. A cada hora adicional de sono durante o dia, o risco de mortalidade cresce cerca de 13%.
Além disso, a frequência também se mostrou relevante. Cada cochilo extra por dia está ligado a um aumento aproximado de 7% no risco. O horário em que a soneca ocorre também influencia.
Os pesquisadores destacam que o cochilo em si não deve ser interpretado como causa direta de morte, mas como um possível indicador de condições subjacentes.
Cochilos excessivos podem refletir doenças crônicas, distúrbios do sono ou desregulação do ritmo biológico do organismo.
Entre os fatores associados estão inflamação sistêmica, alterações cardiovasculares, pressão arterial elevada e pior funcionamento dos vasos sanguíneos. Essas condições podem provocar maior sensação de cansaço ao longo do dia, levando ao aumento da necessidade de dormir fora do período noturno.
Segundo os dados analisados, entre 20% e 60% dos idosos têm o hábito de cochilar regularmente. O envelhecimento contribui para mudanças no padrão de sono, incluindo maior fragmentação do descanso noturno e aumento da sonolência diurna.
Essas alterações podem estar ligadas à chamada desregulação circadiana, que afeta o ciclo natural de sono e vigília, além de doenças crônicas como diabetes, problemas respiratórios e condições neurodegenerativas.
Os autores do estudo indicam que o monitoramento de padrões de cochilo pode se tornar uma ferramenta relevante para identificar indivíduos com maior risco de complicações de saúde.
Dispositivos vestíveis, já utilizados para acompanhar atividade física e sono, podem ajudar a detectar mudanças no comportamento ao longo do tempo, permitindo intervenções precoces.
Segundo o Uol, o estudo também ressalta a necessidade de novas pesquisas para compreender melhor a relação entre cochilos e mortalidade, incluindo diferentes faixas etárias e contextos sociais. Enquanto isso, especialistas seguem investigando como variações no padrão de sono ao longo de semanas e meses podem influenciar o risco de morte.