Uma publicação divulgada nas redes sociais sobre os serviços oferecidos pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de Itapevi acabou provocando uma sequência de críticas de moradores que afirmam enfrentar dificuldades para conseguir atendimento psicológico e acompanhamento especializado na cidade.
O vídeo institucional apresentava os CAPS como espaços de “acolhimento”, “cuidado” e “atendimento humanizado” para crianças, adolescentes e adultos. A gravação também anunciava reformas nas unidades do município para tornar os ambientes mais confortáveis e adequados para pacientes, familiares e profissionais.
Na publicação, a administração municipal afirmou que as unidades oferecem atendimento especializado para pessoas com ansiedade, depressão, sofrimento emocional, transtornos mentais e dependência relacionada ao uso de álcool e drogas. Segundo o vídeo, os serviços incluem psicólogos, psiquiatras, enfermagem, assistência social, grupos terapêuticos e acompanhamento individualizado.
Nos comentários da publicação, moradores relataram experiências diferentes da apresentada no vídeo oficial. Parte das críticas envolveu demora para acesso a psicólogos, ausência de retorno para terapias e dificuldades no acolhimento dentro das unidades.
Uma familiar de paciente afirmou que o CAPS infantil enfrenta falta de profissionais e problemas de organização no atendimento. Segundo o relato, a sobrinha aguarda acolhimento terapêutico desde os três anos de idade sem ter sido chamada para acompanhamento especializado.
“Menos propaganda e mais respeito, estrutura e tratamento digno”, escreveu uma moradora ao comentar a situação das unidades.
Outro comentário relatou que pacientes aguardam há anos por vagas para psicólogos e fonoaudiólogos. Também houve críticas sobre a estrutura física das recepções e sobre o tratamento recebido por usuários durante tentativas de agendamento.
Uma das publicações mencionou ainda possíveis violações de princípios previstos na Lei 8.080/90, no Estatuto da Pessoa com Deficiência e no Estatuto da Criança e do Adolescente. As críticas foram direcionadas especialmente ao atendimento de crianças diagnosticadas com TEA e à ausência de acompanhamento contínuo.
Na gravação divulgada pela cidade, o conteúdo destacava que todas as unidades dos CAPS passariam por reformas para melhorar as condições de atendimento. O material institucional também afirmava que os espaços oferecem suporte emocional, oficinas terapêuticas e acompanhamento próximo para pacientes em situação de vulnerabilidade psicológica.
Segundo a transcrição do vídeo, o CAPS Infanto Juvenil foi apresentado como uma unidade voltada ao atendimento de crianças e adolescentes, incluindo suporte relacionado ao ambiente familiar e escolar.
A publicação ainda reforçava a mensagem de que “buscar ajuda é um ato de coragem” e que os CAPS estariam “de portas abertas para acolher, orientar e cuidar” da população.
As críticas feitas por moradores refletem uma discussão mais ampla sobre a capacidade de atendimento da rede pública de saúde mental em municípios da Região Metropolitana de São Paulo, principalmente diante do aumento da demanda por acompanhamento psicológico e psiquiátrico nos últimos anos.
Além das reclamações sobre demora e falta de profissionais, usuários também cobraram investimentos em ampliação de equipes técnicas em vez de apenas reformas estruturais nas unidades.
Até o momento da repercussão da publicação, os comentários nas redes sociais continuavam recebendo novos relatos de moradores que afirmam enfrentar dificuldades semelhantes para conseguir atendimento psicológico e terapias especializadas nos serviços municipais de saúde mental de Itapevi.