Moradores da região da Afonso Baía denunciaram neste fim de semana o que classificam como abandono na UBS Lago Azul, em Franco da Rocha, citando portão corroído por ferrugem, ausência de bancos, muros sem pintura e reclamações sobre atendimento e remédios em falta. O impacto é direto para quem depende da unidade: espera mais desconfortável, insegurança com a conservação do espaço e incerteza sobre conseguir o medicamento prescrito no próprio bairro.
Quem chega cedo para tentar encaixe ou garantir senha descreve um cenário conhecido em equipamentos públicos que ficaram para trás na fila da manutenção: metal desgastado, pintura vencida e áreas de espera que não acolhem. A queixa mais repetida, segundo os relatos recebidos, é simples de entender e difícil de aceitar: quando falta banco, sobra gente em pé, inclusive idosos, pessoas com dor e pacientes em acompanhamento, num lugar que deveria ser a primeira porta de cuidado.
O portão é o cartão de visita, e a população afirma que ele está “praticamente destruído” pela ferrugem. Grades e muros sem pintura reforçam a impressão de desgaste acumulado. A reclamação não trata só de aparência: para usuários, o estado do entorno aumenta a sensação de descuido, principalmente nos horários de maior movimento, quando a unidade enche e o lado de fora vira extensão da espera.
A falta de bancos virou um símbolo do problema, porque é o tipo de ausência que todo mundo percebe no corpo. A espera, que já é parte do dia de quem precisa de consulta, passa a ser uma prova de resistência. Moradores relatam que o desconforto se soma a um ambiente pouco convidativo, e a experiência começa ruim antes mesmo de qualquer conversa com a equipe.
Além da conservação, há queixas sobre falhas no atendimento. Os relatos mencionam dificuldades no fluxo, sensação de desorganização e frustração com tentativas repetidas de resolver demandas simples. Em unidades básicas, cada etapa pesa: recepção, triagem, consulta, encaminhamentos e retorno. Quando uma parte falha, a rotina de quem trabalha, estuda ou cuida de criança desanda junto.
A UBS também é, para muitos, o lugar onde se retira o medicamento do mês. Por isso, a reclamação sobre falta constante na farmácia mexe com o nervo mais sensível do serviço: tratamento interrompido. Para famílias que já fazem conta de ônibus, horário e fila, ouvir que “não tem” transforma uma ida ao posto em duas, três, quatro tentativas.
O que a população aponta como mais urgente: portão com corrosão avançada, muros e grades sem pintura, falta de bancos para espera, queixas sobre atendimento e relatos de medicamentos indisponíveis na farmácia.
A demanda chegou com endereço certo: moradores cobram fiscalização dos vereadores e providências do poder público. Na prática, o que se pede é o básico funcionando no básico: manutenção predial, condições mínimas de conforto e regularidade no abastecimento. Em bairros onde a UBS é referência para gestantes, crianças, hipertensos e diabéticos, qualquer falha repetida vira rotina de risco e desgaste.
Quando a comunidade fala em “providência urgente”, geralmente não está pedindo obra grandiosa, e sim resposta rápida: reparar o que está quebrado, repintar, organizar a área de espera e dar transparência sobre reposição de remédios. É o tipo de intervenção que não depende de discurso, depende de execução.
Problema relatado Como aparece no dia a dia Consequência prática Portão enferrujado Estrutura desgastada, sensação de abandono Insegurança e deterioração visível Falta de bancos Espera em pé, sobretudo em horários cheios Desconforto para pacientes e acompanhantes Muros e grades sem pintura Manutenção atrasada Ambiente degradado e pior acolhimento Queixas de atendimento Dificuldade no fluxo e na resolução Mais idas à unidade e mais tempo perdido Falta de medicamentos Remédio indisponível na farmácia Tratamento interrompido e novas tentativasEntre o portão e a consulta, existe um percurso que deveria ser discreto, mas hoje chama atenção pelo que falta. A unidade básica não é vitrine: é rotina. E rotina, quando desanda, vira notícia porque atinge muita gente ao mesmo tempo, especialmente quem não tem plano de saúde, não consegue faltar ao trabalho e depende do posto para manter o tratamento em dia.
O que moradores relatam, em resumo, é a sensação de que a UBS está funcionando no limite do improviso. E quando a saúde entra nesse modo, o custo não aparece em números na parede: aparece em tempo perdido, dor prolongada e confiança corroída, do mesmo jeito que a ferrugem come um portão quando ninguém cuida.