Donald Trump desembarca em Pequim nesta quarta-feira (13) para uma visita considerada histórica por diplomatas e analistas internacionais. O encontro com Xi Jinping acontece depois de meses de escalada na guerra comercial entre Estados Unidos e China, conflito que elevou tarifas sobre produtos importados para patamares próximos de 150% e ampliou a tensão entre as duas maiores economias do planeta.
A viagem também marca uma mudança de postura da Casa Branca. Após endurecer o discurso contra os chineses e defender o retorno das fábricas ao território americano, Trump agora tenta abrir espaço para novos acordos comerciais em áreas estratégicas, principalmente tecnologia, semicondutores e inteligência artificial.
A delegação americana levará 16 executivos de grandes empresas, incluindo representantes de gigantes do setor digital como Apple, X e Meta. O movimento é interpretado como uma tentativa de reconstruir canais econômicos com um país que hoje domina partes relevantes da cadeia global de produção.
A relação entre Estados Unidos e China mudou radicalmente nas últimas décadas. Durante os anos 1990 e o início dos anos 2000, empresas americanas transferiram parte significativa de suas linhas de produção para território chinês em busca de custos mais baixos.
O modelo acelerou o crescimento industrial da China e ajudou o país asiático a registrar expansão econômica entre 8% e 10% ao ano durante décadas. O avanço começou pela manufatura de baixo custo, passou pela reprodução de tecnologias estrangeiras e evoluiu para setores de inovação e desenvolvimento tecnológico.
Nesse período, os produtos chineses passaram a ocupar espaço central no comércio internacional, enquanto cadeias globais de suprimentos ficaram cada vez mais dependentes da indústria asiática.
Em 2011, o então presidente Barack Obama lançou o chamado “Pivô para a Ásia”, estratégia que buscava conter a influência chinesa no Pacífico. O governo americano reforçou alianças militares e comerciais com países como Japão, Coreia do Sul e Filipinas, além de tentar estabelecer regras econômicas que isolavam parcialmente Pequim.
A leitura chinesa foi imediata: os Estados Unidos deixavam de atuar apenas como parceiro comercial e passavam a agir como competidor estratégico.
Donald Trump aprofundou esse confronto ao abandonar parte das alianças internacionais e apostar em tarifas agressivas contra produtos chineses. A política buscava enfraquecer a dependência americana da indústria asiática e incentivar a reindustrialização dos EUA.
Joe Biden manteve a disputa econômica, mas concentrou esforços em garantir acesso a setores considerados estratégicos, principalmente chips e tecnologias avançadas ligadas à inteligência artificial.
Enquanto os governos americanos alternavam estratégias, a China expandiu sua presença econômica internacional. Pequim investiu em portos, infraestrutura logística, mineração e acordos tecnológicos em dezenas de países.
Hoje, os chineses já aparecem como principais parceiros comerciais de grande parte do mundo, inclusive em regiões historicamente mais próximas dos Estados Unidos.
O governo Xi Jinping também consolidou influência em setores considerados críticos, como energia, baterias, minerais raros e tecnologia industrial. A estratégia chinesa passou a combinar comércio, financiamento internacional e expansão geopolítica.
O encontro em Pequim acontece em um momento de forte polarização política nos Estados Unidos e aumento das disputas econômicas globais. Apesar do tom duro mantido nos últimos anos, Trump tenta abrir uma nova fase de negociações diretas com Xi Jinping em áreas consideradas essenciais para empresas americanas.
A expectativa do mercado está concentrada nos possíveis anúncios envolvendo tarifas, investimentos e acordos tecnológicos. A reunião também será acompanhada por aliados asiáticos dos EUA e por países que dependem simultaneamente das economias americana e chinesa, revelou o G1.
Nos bastidores diplomáticos, governos estrangeiros acompanham os movimentos de Washington e Pequim enquanto empresas globais aguardam sinais sobre o futuro das cadeias de produção e do comércio internacional.