O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta quinta-feira (7) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington. O encontro marca mais um capítulo da tentativa de reaproximação diplomática entre os dois países após meses de desgaste envolvendo tarifas comerciais, críticas políticas e divergências sobre temas internacionais.
Logo na chegada de Lula à sede do governo americano, o cumprimento entre os dois líderes chamou atenção. Conhecido pelo gesto firme e muitas vezes desconfortável ao apertar a mão de autoridades estrangeiras, Trump adotou uma postura diferente diante do presidente brasileiro.
O republicano recebeu Lula com um aperto de mão rápido e sem os movimentos bruscos que viraram marca registrada em encontros diplomáticos anteriores. Segundo análises exibidas pela GloboNews, o momento foi considerado mais suave e cordial do que o habitual.
Trump perguntou em inglês como Lula estava. O presidente brasileiro respondeu em português antes de seguirem para a reunião oficial.
A reunião foi classificada pela Casa Branca como uma “visita de trabalho”, formato menos protocolar que uma visita de Estado tradicional. Ainda assim, a agenda entre os dois presidentes ganhou peso político por envolver temas considerados estratégicos para os dois governos.
Entre os principais assuntos está a pressão dos Estados Unidos para classificar facções criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas. O governo brasileiro tenta evitar que o tema avance para medidas unilaterais americanas.
Outro ponto sensível envolve o PIX. Autoridades americanas investigam possíveis impactos do sistema brasileiro sobre empresas dos Estados Unidos que atuam no setor de pagamentos eletrônicos.
O Palácio do Planalto pretende defender que o sistema de transferências instantâneas não discrimina companhias estrangeiras e argumentar que o modelo brasileiro ampliou a concorrência financeira no país.
Além das discussões econômicas e de segurança, Lula e Trump também devem tratar de minerais críticos e terras raras, considerados essenciais para setores de tecnologia e transição energética.
O encontro ainda acontece em meio às eleições brasileiras de 2026. Segundo informações divulgadas pela jornalista Andréia Sadi, Lula busca usar a reunião como ativo político interno e pretende obter um compromisso informal de não interferência americana no processo eleitoral brasileiro.
Apesar das diferenças ideológicas, Lula e Trump já haviam se encontrado anteriormente nos últimos meses. Em outubro do ano passado, os dois participaram de um evento na Malásia. Antes disso, conversaram rapidamente durante a Assembleia Geral da ONU.
Na última sexta-feira (1º), os presidentes também falaram por telefone antes da viagem oficial de Lula aos Estados Unidos. O governo brasileiro descreveu a conversa como amistosa.
O encontro desta quinta ocorre em um cenário de tentativas de estabilização das relações comerciais entre Brasília e Washington, depois da imposição de tarifas contra produtos brasileiros e de sanções aplicadas pelos Estados Unidos contra autoridades nacionais.
Após a reunião no Salão Oval, Lula e Trump participaram de um almoço bilateral na Sala do Gabinete da Casa Branca, enquanto equipes diplomáticas dos dois países seguem negociando medidas relacionadas a comércio, segurança e cooperação internacional.