O Enem 2025 teve as notas divulgadas nesta sexta-feira e colocou milhões de estudantes, de uma hora para outra, na largada pela vaga na universidade pública via Sisu 2026. O resultado, liberado pelo Inep por volta de 00h30, já permite consultar desempenho na Página do Participante e simular, na prática, em quais cursos dá para sonhar com aprovação a partir da próxima segunda-feira, 19 de janeiro.
Com mais de 4,8 milhões de inscritos e cerca de 72% de presença nos dois dias de prova, o Enem volta a mostrar seu peso real: ele não é apenas um exame, é o principal funil de entrada para as federais e estaduais, e agora ganhou uma camada extra de tensão. Pela primeira vez, o Sisu vai considerar a melhor nota entre as três últimas edições do exame, permitindo que candidatos usem resultados de 2023, 2024 ou 2025, conforme o que for mais vantajoso para cada curso.
Na prática, isso muda completamente a dinâmica da disputa. Quem fez o Enem mais de uma vez entra no sistema com “três cartuchos no tambor”. Já quem está saindo agora do ensino médio vai concorrer com gente que traz histórico, experiência e, em muitos casos, notas mais altas guardadas. Especialistas em estatística educacional alertam que cursos de baixa procura tendem a sentir pouco o impacto, mas carreiras como Medicina, Direito e Engenharia devem ver a régua subir.
Para ajudar a traduzir essa ansiedade em números, simuladores baseados nas notas de corte do ano anterior permitem que o estudante veja, curso a curso, onde sua pontuação se encaixa, levando em conta pesos diferentes para Redação, Matemática, Linguagens, Ciências da Natureza e Ciências Humanas. É ali que o candidato percebe se está brigando na parte de cima do grid ou se vai precisar ajustar a estratégia, trocar de opção e pensar com frieza.
O Ministério da Educação defende que a medida aumenta a chance de preenchimento das vagas e mantém a isonomia, mas, nos bastidores, a leitura é outra: o Sisu 2026 será o mais competitivo dos últimos anos. A combinação de três safras de notas no mesmo funil tende a concentrar candidatos mais fortes nos cursos mais desejados, pressionando as notas de corte para cima.
Agora, o estudante que abre a Página do Participante não vê apenas um boletim de notas. Vê um mapa de possibilidades, decepções e apostas. Cada décimo pode significar trocar de cidade, de curso, de plano de vida. O Sisu, como um grid de largada, está montado. E, com a nova regra, a corrida ficou mais cheia, mais rápida e bem menos previsível.