Depois de anos de desvios e promessas, o trecho inicial do Rodoanel Norte enfim foi liberado: 24 km entre Dutra e Fernão Dias, com cobrança automática por quilômetro. O governo estima que 40 mil veículos, 10 mil caminhões, deixem a Marginal Tietê diariamente. A concessão à Via Appia, firmada em 2023, prevê 31 anos e R$ 3,4 bilhões para completar 44 km, com nova conexão à Av. Raimundo Pereira de Magalhães no 2º semestre de 2026. Motorista: no free flow, a cobrança é por km e não há praça; trecho.
O Jornal Fala Regional registrou que o Governo de São Paulo inaugurou na segunda-feira, 22/12/2025, o primeiro trecho do Rodoanel Norte, um segmento de 24 km que conecta as rodovias Presidente Dutra e Fernão Dias, na Região Metropolitana, com o objetivo declarado de desafogar a Marginal Tietê e redistribuir o fluxo de veículos.
Os trabalhos teriam começado em 2013 e, desde então, o trecho Norte permaneceu como o componente pendente do anel viário projetado para retirar tráfego pesado do miolo urbano e melhorar a circulação no entorno metropolitano.
A estimativa oficial é que o novo trecho retire 40 mil veículos por dia da Marginal Tietê, sendo 10 mil caminhões. Na prática, é uma aposta de engenharia e gestão de demanda para reduzir a concentração de tráfego em um corredor que funciona como artéria logística e rota diária de deslocamento.
O Jornal Fala Regional reporta que o Rodoanel Norte terá uso exclusivo do sistema free flow, descrito como tecnologia com sensores que calculam a tarifa por quilômetro rodado, eliminando a necessidade de o motorista parar em praças de pedágio.
Para o usuário, a informação utilitária é simples: não existe “parada” para pagamento, e a tarifa decorre do percurso realizado. Para o poder concedente e para a concessionária, o modelo desloca a discussão para regras claras de cobrança, comunicação ao motorista e previsibilidade operacional, porque o pedágio deixa de ser um ato físico e vira um registro automatizado.
A reportagem também amarra o andamento recente da obra ao arranjo contratual. Segundo o registro, o projeto foi destravado a partir de 2023 com o leilão e a concessão à Via Appia, que administrará o Rodoanel Norte por 31 anos.
No desenho econômico indicado, a Via Appia investirá R$ 2 bilhões para completar o Rodoanel Norte, enquanto o governo estadual aportará R$ 1,4 bilhão, totalizando R$ 3,4 bilhões. Em termos contábeis, trata-se de uma combinação de investimento privado e aporte público para viabilizar a conclusão do ativo de infraestrutura.
O segundo trecho tem previsão de entrega para o segundo semestre de 2026 e conectará a via à Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, na capital paulista. Quando finalizado, o Rodoanel Norte terá 44 km de extensão, passando por São Paulo, Guarulhos e Arujá, conforme descrito.
O Rodoanel foi planejado em 1995, no governo Mário Covas, e os demais trechos são listados com extensão e ano de entrega — Oeste (32 km, 2002), Sul (61 km, 2010) e Leste (43,5 km, 2015). A conclusão do Norte, portanto, é apresentada como a etapa final para completar o anel.
Para quem dirige, transporta ou depende do tempo como insumo, o impacto prometido se resume a três variáveis que o próprio governo colocou na mesa: volume diário retirado da Tietê, participação de caminhões e a capacidade do novo corredor de atrair tráfego sem criar novos pontos de estrangulamento nos acessos. O resto é execução, e execução se mede em fluxo real.