Robert Duvall morre aos 95 anos e deixa Hollywood sem um dos rostos mais “reais” do cinema

Robert Duvall morreu aos 95 anos no domingo, 15 de fevereiro de 2026, em sua casa, na cidade de Middleburg, no estado da Virgínia, segundo comunicado divulgado por sua esposa, Luciana Pedraza. O ator vencedor do Oscar ficou marcado por personagens que pareciam respirar fora da tela, com destaque para o advogado Tom Hagen em […]
Publicado em Personalidade dia 16/02/2026 por Alan Corrêa

Robert Duvall morreu aos 95 anos no domingo, 15 de fevereiro de 2026, em sua casa, na cidade de Middleburg, no estado da Virgínia, segundo comunicado divulgado por sua esposa, Luciana Pedraza. O ator vencedor do Oscar ficou marcado por personagens que pareciam respirar fora da tela, com destaque para o advogado Tom Hagen em O Poderoso Chefão e o militar Kilgore em Apocalypse Now.

“A família incentiva a homenagem de um jeito simples: ver um bom filme, contar histórias com amigos ou pegar a estrada pelo interior.” :contentReference[oaicite:7]{index=7}

Pontos Principais:

  • Robert Duvall morreu aos 95 anos em 15/02/2026, em Middleburg, na Virgínia.
  • A morte foi confirmada pela esposa, Luciana Pedraza, e descrita como “pacífica”.
  • Ele virou símbolo de duas eras do cinema com O Poderoso Chefão e Apocalypse Now.
  • Ganhou o Oscar de Melhor Ator por Tender Mercies (1983), premiado pela atuação contida e humana.
  • A família informou que não haverá cerimônia formal e sugeriu homenagens simples, como ver um filme ou pegar a estrada.

Quem cresceu vendo filme em TV aberta sabe a sensação: Duvall entrava em cena e a história mudava de temperatura. Não era só carisma. Era aquela autoridade silenciosa de quem não precisa “atuar para aparecer”. A notícia da morte se espalhou nesta segunda-feira (16), e a família informou que não haverá cerimônia formal.

🕯️ O adeus em casa — e um recado simples para os fãs

No comunicado, a despedida tem o tom de quem conhece o homem por trás do mito: Duvall teria partido “pacificamente”, em casa, com a esposa ao lado. E, em vez de funeral público, veio um convite que é quase uma cena final: honrar a memória “assistindo a um ótimo filme, contando uma boa história à mesa com amigos ou fazendo um passeio de carro pelo interior”.

Esse detalhe do “passeio de carro” tem uma força curiosa. Não é poesia barata: é Duvall lembrando que a vida acontece nos intervalos, na estrada vazia, no barulho do motor e na conversa que não precisa de holofote. Para um ator associado a durões, o gesto é discreto — e totalmente coerente.

Marco Dado Por que importa Morte 15/02/2026 — Middleburg (Virgínia) Informação confirmada pela esposa e por comunicado oficial. Estouro mundial 1972 — O Poderoso Chefão Tom Hagen virou referência de “controle” em meio ao caos. Personagem-símbolo 1979 — Apocalypse Now Kilgore eternizou a imagem do absurdo com sorriso no rosto. Oscar Melhor Ator por Tender Mercies (1983) Premiação que consolidou o “homem comum” como protagonista.

🎥 Tom Hagen: o homem que falava baixo e mandava alto

Em O Poderoso Chefão, dirigido por Francis Ford Coppola, Duvall faz um advogado que parece carregar um cofre dentro do peito. Tom Hagen é o conselheiro que não se deixa contaminar pela histeria ao redor — e, justamente por isso, vira peça central. A atuação rendeu indicação ao Oscar e o colocou num patamar em que “coadjuvante” vira palavra pequena demais.

Ele repetiu o papel em O Poderoso Chefão Parte II, mas ficou fora do terceiro filme. Em entrevistas, Duvall não dourou a pílula: disse que a decisão envolveu “princípio” e discordância com a diferença de pagamento oferecida a ele em comparação a Al Pacino. O recado era direto: respeito não é figurino, é contrato.

🔥 Kilgore em “Apocalypse Now”: a cena que chega como um trovão

Se Tom Hagen é contenção, Kilgore é explosão. Em Apocalypse Now, Duvall aparece como um militar que trata o caos como rotina — e isso assusta mais do que qualquer grito. A famosa frase sobre “napalm pela manhã” virou meme antes de existir meme, mas a cena completa é ainda mais desconfortável: ela mostra como a guerra pode virar hábito, e o hábito vira sorriso.

O que segura tudo ali não é efeito especial nem trilha. É um ator que sabe medir o próprio volume. Duvall faz um personagem enorme sem se apoiar em exagero, e esse truque — o de parecer natural mesmo quando o mundo está em chamas — foi sua assinatura.

🎭 Um ator de “cara comum” que virava gente inesquecível

Antes dos grandes épicos, Duvall já tinha deixado sua marca como Boo Radley em O Sol é Para Todos, lá em 1962, num papel pequeno e crucial que muita gente guarda como lembrança de infância. A partir daí, ele atravessou décadas com uma habilidade rara: fazer o público acreditar que aquele homem sempre existiu, em algum lugar.

Nos bastidores da vida, a trajetória também carregava histórias de formação: ele estudou com Sanford Meisner e, no começo, dividiu teto e sonhos com Dustin Hoffman — uma época em que ninguém era “lenda”, só gente tentando pagar aluguel e decorar texto.

🏆 O Oscar veio quando ele fez o mais difícil: ser simples

O prêmio de Melhor Ator por Tender Mercies é um daqueles troféus que contam mais sobre o estilo do vencedor do que sobre a noite da cerimônia. Ali, Duvall não “se transforma” com maquiagem chamativa: ele se entrega ao personagem com economia, como quem sabe que o drama da vida real costuma ser dito em frases curtas, no meio da cozinha, com a TV ligada ao fundo.

Em O Apóstolo, projeto autoral em que também escreveu e dirigiu, voltou a esse território: o da fé, da falha humana, do orgulho e do pedido de perdão que não sai bonito. Duvall não parecia interessado em personagens “exemplares”; preferia os que tropeçam de verdade — porque são esses que o público reconhece.