O maior teste independente de autonomia de carros elétricos em clima extremo voltou a colocar pressão sobre montadoras que divulgam números elevados de alcance no ciclo WLTP. Realizado pelo Automóvel Clube Norueguês, conhecido pela sigla NAF, o experimento colocou 27 modelos elétricos em uma mesma rota, sob as mesmas condições climáticas e enfrentando temperaturas que chegaram a -32ºC.
A proposta do teste é simples. Todos os veículos são carregados completamente antes da saída e percorrem juntos um trajeto de mais de 400 quilômetros entre Oslo e regiões montanhosas do interior da Noruega. O objetivo é medir quanto cada modelo consegue rodar em condições reais de estrada e comparar o resultado com a autonomia oficial divulgada pelas fabricantes.
A edição deste ano entrou para a história do experimento por causa das temperaturas extremamente baixas registradas durante o percurso. Segundo os organizadores, o clima foi um dos mais severos desde o início da avaliação, em 2020.
Os termômetros marcaram -8ºC em Oslo e chegaram a -32ºC em Høyeste, trecho de altitude elevada no percurso norueguês. O trajeto ainda inclui longas subidas de montanha, incluindo pontos acima de mil metros de altitude, cenário considerado crítico para baterias de veículos elétricos.
Durante o teste, os motoristas interrompem a condução quando percebem perda significativa de potência, sem descarregar totalmente a bateria. Em um dos casos deste ano, um dos carros apresentou redução de desempenho mesmo ainda indicando 11% de carga restante.
O experimento tenta responder uma pergunta simples que compradores fazem antes de investir em um carro elétrico: quanto ele realmente roda em uma rodovia no inverno?
Os dados divulgados pela associação norueguesa mostraram que os carros que menos se distanciaram da autonomia prometida foram justamente modelos ligados a fabricantes chinesas ou asiáticas.
O Hyundai Interster e o MG IM6 apresentaram perda de cerca de 29% em relação ao ciclo WLTP, liderando o ranking proporcional do teste.
Apesar da diferença relevante entre o número oficial e o desempenho real, os organizadores destacaram que o teste ocorre em condições consideradas excepcionais até mesmo para o inverno europeu.
Os números mais negativos apareceram justamente entre modelos premium e carros conhecidos por divulgar grandes autonomias no papel.
O Lucid Air foi o modelo que apresentou a maior diferença absoluta entre o alcance prometido e o obtido na prática. O sedã percorreu 520 quilômetros antes de perder desempenho relevante, mas ficou muito distante dos 960 quilômetros anunciados oficialmente.
| Modelo | Autonomia real | WLTP | Diferença |
|---|---|---|---|
| BMW iX | 388 km | 641 km | 253 km |
| Tesla Model Y | 359 km | 629 km | 270 km |
| Volvo EX90 | 339 km | 611 km | 272 km |
| Mercedes CLA | 421 km | 709 km | 288 km |
| Lucid Air | 520 km | 960 km | 440 km |
Os organizadores do NAF ressaltaram que o Lucid Air também foi um dos melhores modelos no teste de verão anterior, indicando que as temperaturas extremas tiveram impacto decisivo no resultado final.
A avaliação norueguesa se tornou referência internacional porque tenta reproduzir o uso cotidiano em rodovias, cenário considerado mais desafiador para carros elétricos do que o trânsito urbano.
No ambiente urbano, a regeneração de energia e as velocidades reduzidas ajudam a preservar bateria e consumo. Já em viagens longas, principalmente em clima severo, o gasto energético aumenta de forma significativa.
O experimento também voltou ao centro das discussões sobre veículos elétricos porque confronta diretamente críticas frequentes feitas por consumidores e céticos da eletrificação, especialmente sobre desempenho em regiões frias, revelou o Xataka.
Mesmo com perdas expressivas de autonomia, os dados mostraram que praticamente todos os veículos testados conseguiram rodar entre 340 e mais de 500 quilômetros antes de apresentar queda severa de desempenho, mesmo enfrentando temperaturas próximas de -30ºC.