O Palmeiras deixou Barueri neste sábado com um ponto na tabela e uma sequência de preocupações que vai além do empate por 1 a 1 contra o Cruzeiro. Em uma noite marcada por chuva forte, golaços e discussões na beira do campo, o líder do Brasileirão viu o adversário mineiro jogar sem receio, suportar a pressão e criar situações suficientes para transformar o resultado em algo desconfortável para os paulistas.
A equipe de Abel Ferreira chegou à 35 pontos e segue na liderança do campeonato, mas agora observa o Flamengo entrar em campo neste domingo com dois jogos a menos e a possibilidade de reduzir a distância antes do confronto direto entre os clubes na próxima rodada, no Maracanã.
O jogo começou em ritmo acelerado e com o Palmeiras tentando assumir o controle da posse de bola nos primeiros minutos. O cenário mudou rapidamente quando o Cruzeiro aproveitou um erro na saída alviverde. Aos 10 minutos, Matheus Pereira iniciou a jogada que terminou nos pés de Arroyo. O atacante trouxe para dentro e acertou um chute cruzado de fora da área, sem chances para Carlos Miguel.
O gol esfriou momentaneamente a Arena Barueri e aumentou a agressividade do time mineiro, que passou a pressionar a saída palmeirense e travar o meio-campo. O Palmeiras reagiu pouco depois, também em uma finalização de longa distância. Após cobrança curta de escanteio, Felipe Anderson aproveitou sobra na entrada da área e acertou um chute forte para empatar a partida.
O empate recolocou o Palmeiras no jogo, mas o time voltou a apresentar dificuldades para transformar posse de bola em controle efetivo da partida. O Cruzeiro encontrou espaços nas transições e continuou levando perigo principalmente pelo lado esquerdo.
Além do resultado, Abel Ferreira saiu preocupado com a condição física do elenco. Ainda no primeiro tempo, Ramón Sosa sofreu uma lesão no tornozelo após disputa com Romero e precisou deixar o campo com dificuldades para caminhar.
Pouco depois, Felipe Anderson, autor do gol palmeirense, pediu substituição ao sentir dores na coxa em uma arrancada. As duas alterações forçadas mudaram a dinâmica ofensiva da equipe e obrigaram o Palmeiras a reorganizar setores ainda antes do intervalo.
O Palmeiras chegou a ter um pênalti marcado aos 18 minutos do primeiro tempo, mas o assistente indicou toque na bola de Jonathan Jesus antes do contato em Flaco López, e a arbitragem voltou atrás.
A segunda etapa teve um cenário mais aberto. Sob chuva intensa, o Cruzeiro voltou melhor e empurrou o Palmeiras para trás nos primeiros minutos. Kaiki obrigou Carlos Miguel a fazer grande defesa logo aos sete minutos, enquanto o Palmeiras respondeu em jogadas isoladas.
A principal chance palmeirense aconteceu aos 15 minutos. Após bola viva na área, Gustavo Gómez tentou uma bicicleta à queima-roupa e Otávio fez uma das defesas mais difíceis da rodada. O goleiro cruzeirense ainda segurou a pressão em finalizações de Andreas Pereira, Paulinho e Arias.
Do outro lado, Arroyo continuou levando perigo nos contra-ataques, enquanto Jonathan Jesus quase surpreendeu em chute forte de fora da área nos minutos finais.
O jogo também teve momentos de tensão fora das quatro linhas. Ainda no primeiro tempo, Giay chutou uma bola em direção ao banco do Cruzeiro após disputa lateral. O técnico Artur Jorge se irritou imediatamente e iniciou discussão com o lateral argentino.
A arbitragem precisou intervir e aplicou cartão amarelo ao treinador português. O clima aumentou a temperatura de uma partida já marcada por entradas duras, paralisações e problemas no sistema de comunicação da arbitragem durante a segunda etapa.
O Palmeiras agora volta suas atenções para a Libertadores, quando recebe o Cerro Porteño na quarta-feira. Já o Cruzeiro encara o Boca Juniors, na Argentina, antes de enfrentar a Chapecoense pelo Brasileirão. O próximo compromisso do time paulista na Série A será justamente contra o Flamengo, no Rio de Janeiro, em confronto direto que pode alterar o topo da tabela já na próxima rodada.
Foto: Marco Galvão/Cruzeiro