A construção da Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo entrou em uma nova fase de execução e já alcança 81,5% das obras concluídas. Considerada uma das maiores intervenções de mobilidade urbana em andamento no país, a nova ligação metroviária vai conectar Brasilândia, na zona norte, à estação São Joaquim, na região central, em aproximadamente 23 minutos.
Hoje, o mesmo trajeto pode consumir até 1h30 em ônibus, dependendo do horário e das condições do trânsito. O projeto prevê uma linha subterrânea de 15,3 quilômetros de extensão, com 15 estações, atravessando bairros densamente povoados e regiões de grande circulação universitária e comercial.
Conhecida nos bastidores do setor de transporte como Linha das Universidades, a futura conexão passará próxima a instituições como PUC, FAAP, Mackenzie e Uninove. O traçado também deve alterar a dinâmica de deslocamento entre a zona norte, a zona oeste e o centro da capital paulista.
As obras mais avançadas estão concentradas nas estações Água Branca, Santa Marina e Perdizes, todas acima de 90% de execução. Nesses trechos, as equipes já trabalham em acabamento, instalação de sistemas, preparação elétrica e adequações para operação comercial.
A estação Água Branca é atualmente a mais adiantada da linha, com cerca de 97% de execução. Ela será um dos principais pontos de integração do novo ramal com as linhas 7-Rubi e 8-Diamante da CPTM. A estrutura foi construída a 47,8 metros de profundidade, equivalente a um prédio de aproximadamente 15 andares abaixo do nível da rua.
Já a estação Santa Marina, com aproximadamente 94% das obras concluídas, ficará em uma área estratégica entre Barra Funda e Água Branca, cercada por universidades, emissoras de comunicação, centros esportivos e serviços urbanos. A estação Perdizes, que alcançou cerca de 92% de execução, será o ponto final do primeiro trecho operacional previsto para entrar em funcionamento.
Além das estruturas subterrâneas, a Linha 6-Laranja já iniciou testes operacionais com os novos trens que irão circular no sistema. Cada composição terá seis carros e capacidade para transportar até 2.044 passageiros por viagem.
Os veículos foram desenvolvidos para operar em sistema totalmente automático, sem condutor a bordo, modelo já utilizado em redes metroviárias internacionais. Segundo o cronograma do projeto, os trens poderão atingir até 90 km/h.
Outro ponto considerado estratégico pelo sistema operacional é o intervalo previsto entre as composições, calculado entre 75 e 90 segundos nos horários de maior demanda. A meta é reduzir tempo de espera nas plataformas e ampliar a capacidade de circulação da linha em horários de pico.
O primeiro trecho operacional da Linha 6-Laranja deve ligar Brasilândia até Perdizes ainda em 2026, enquanto a extensão completa até São Joaquim está prevista para 2027.
A Linha 6-Laranja está sendo construída por meio de uma Parceria Público-Privada entre o Governo de São Paulo e a concessionária Linha Uni. O empreendimento é considerado um dos maiores projetos metroviários em andamento na América Latina, tanto pelo volume de escavações quanto pela complexidade urbana do trajeto subterrâneo.
A expectativa do governo estadual é ampliar a integração da malha sobre trilhos da capital e reduzir a pressão sobre corredores de ônibus e linhas já saturadas do sistema metroferroviário. Regiões como Brasilândia, Freguesia do Ó, Pompeia, Água Branca e Perdizes devem concentrar parte dos impactos mais imediatos após o início da operação.
Segundo a Agenciasp, enquanto as estações entram na reta final de acabamento e os testes dos trens avançam, o cronograma da obra segue concentrado na preparação do primeiro trecho comercial, etapa considerada decisiva para o início da operação parcial da linha ainda em 2026.