A pressão arterial considerada normal por décadas deixou de ser vista da mesma forma por especialistas brasileiros. A atualização da 9ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial alterou os parâmetros usados em consultórios e hospitais e colocou a antiga referência de 12 por 8 na faixa de pré-hipertensão, condição que exige monitoramento e mudanças no estilo de vida antes do avanço da doença.
A medida segue uma tendência já adotada por entidades internacionais de cardiologia e tenta reduzir o número de casos de infarto, acidente vascular cerebral e insuficiência renal relacionados à hipertensão. O alerta ganhou força neste Dia Mundial da Hipertensão, celebrado em 17 de maio, em meio ao aumento contínuo de diagnósticos no país.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o percentual de brasileiros hipertensos subiu de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024. Estimativas atuais indicam que mais de 30% da população convive com a doença.
Pelas novas orientações médicas, a pressão considerada ideal agora é abaixo de 120 por 80 mmHg. Leituras entre 120 por 80 e 139 por 89 passaram a integrar a faixa chamada de pré-hipertensão. Já o diagnóstico oficial de hipertensão continua sendo estabelecido a partir de 140 por 90 mmHg.
A mudança altera a forma de interpretar o risco cardiovascular. Em vez de tratar apenas pacientes com pressão elevada, os médicos passaram a agir mais cedo para tentar impedir que a doença avance silenciosamente.
| Classificação atual da pressão arterial |
|---|
| Abaixo de 120 por 80 mmHg: pressão ideal |
| 120-139 por 80-89 mmHg: pré-hipertensão |
| 140-159 por 90-99 mmHg: hipertensão estágio 1 |
| 160-179 por 100-109 mmHg: hipertensão estágio 2 |
O cardiologista Nelson Dinamarco, da Sociedade Brasileira de Hipertensão, afirma que a doença continua sendo uma das condições mais perigosas justamente pela ausência de sintomas claros em boa parte dos pacientes.
“A maioria dos pacientes não sente absolutamente nada. Por isso é fundamental medir regularmente a pressão arterial”, afirmou o especialista.
A hipertensão arterial é caracterizada pelo aumento da pressão sanguínea nas artérias. Quando não controlada, pode provocar acidente vascular cerebral, infarto, aneurismas e insuficiência renal e cardíaca.
Em alguns casos, pacientes relatam sinais como dor na nuca, irritabilidade, tontura, alterações visuais e sensação de cansaço. Mesmo assim, os especialistas reforçam que muitos hipertensos passam anos sem diagnóstico.
O professor Nelson Ludovico relatou que decidiu procurar ajuda médica após perceber desconfortos físicos e lembrar do histórico familiar de hipertensão envolvendo mãe e avó.
Além da predisposição genética, médicos apontam que fatores ligados ao cotidiano ajudam a explicar o avanço da doença no Brasil.
Segundo especialistas, estresse e ansiedade também têm impacto direto na pressão arterial. Essas condições estimulam a produção de adrenalina e cortisol, hormônios que aceleram os batimentos cardíacos e estreitam os vasos sanguíneos.
A principal mudança prática da nova diretriz é a tentativa de iniciar cuidados antes do agravamento da pressão arterial. Pacientes classificados com pré-hipertensão devem ser orientados a reduzir sal, praticar atividade física regularmente, controlar o peso e melhorar a alimentação.
Cardiologistas também recomendam acompanhamento frequente, especialmente em pessoas com histórico familiar, diabetes, colesterol elevado e idade mais avançada, revelou a Agenciabrasil.
Para pacientes já diagnosticados com hipertensão, a meta indicada pelas sociedades médicas é manter a pressão abaixo de 130 por 80 mmHg, desde que o tratamento seja bem tolerado pelo organismo.
As novas diretrizes já começaram a ser aplicadas em clínicas, hospitais e campanhas de prevenção em diferentes estados do país, ampliando o rastreamento precoce da hipertensão e mudando a forma como milhões de brasileiros devem acompanhar a própria saúde cardiovascular.