A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (19) a Operação SP Advocacia Mais Segura para desmontar uma organização criminosa suspeita de aplicar o chamado golpe do falso advogado em diversas cidades paulistas. A investigação aponta que o grupo movimentou cerca de R$ 10 milhões em apenas seis meses usando nomes reais de advogados, falsas decisões judiciais e tecnologia para reproduzir vozes.
A ofensiva foi coordenada pela Delegacia Seccional de São José do Rio Preto em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo, a OAB-SP. Até o momento, oito pessoas foram presas na capital paulista. Os investigados deverão responder por estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Segundo a Polícia Civil, a quadrilha entrava em contato com pessoas que tinham processos judiciais em andamento. Os criminosos simulavam comunicação oficial de escritórios de advocacia e afirmavam que valores de ações estavam prestes a ser liberados.
Para convencer as vítimas, o grupo enviava mensagens falsas, decisões judiciais adulteradas e fazia ligações telefônicas simulando atendimentos jurídicos. Em alguns casos, os investigadores identificaram o uso de tecnologia para imitar a voz verdadeira de advogados envolvidos nos processos.
O esquema usava uma estrutura semelhante à de uma central de atendimento, com contatos simultâneos e abordagem direcionada a clientes com ações judiciais em andamento.
As vítimas eram orientadas a realizar transferências bancárias sob a justificativa de pagamento de taxas, liberações processuais ou custos judiciais. Após o envio do dinheiro, os suspeitos desapareciam.
De acordo com a investigação, ao menos 12 vítimas já foram identificadas. Um dos casos ocorreu em São José do Rio Preto, onde um morador transferiu R$ 35 mil após acreditar que receberia valores ligados a um processo judicial.
O delegado seccional Everson Aparecido Contelli afirmou que o número de vítimas pode ser maior, já que parte dos casos não chegou a ser oficialmente registrada.
Ao todo, a Justiça autorizou 26 mandados judiciais relacionados à operação. Foram expedidos 10 mandados de prisão temporária, 15 de busca e apreensão e ordens de sequestro de bens e valores para possível ressarcimento das vítimas.
A ação mobilizou 70 policiais civis e 25 viaturas em diferentes regiões do estado. As equipes atuaram em cidades do interior, da capital e também do litoral paulista.
Segundo a Agenciasp, as investigações são conduzidas pelo Centro de Inteligência Policial da Polícia Civil de Rio Preto. Agora, os investigadores tentam reunir provas para relacionar os suspeitos a outros registros do golpe do falso advogado identificados na região e em possíveis ações fora do estado de São Paulo.