O Flamengo deixou a Copa do Brasil ainda na quinta fase após perder por 2 a 0 para o Vitória, no Barradão, em Salvador. A eliminação interrompeu uma sequência de dez partidas de invencibilidade do clube carioca e ampliou a pressão sobre o trabalho do técnico Leonardo Jardim em um momento considerado decisivo da temporada.
A derrota ocorreu poucas horas depois de o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, afirmar em um evento em São Paulo que o clube tinha como objetivo conquistar a chamada Tríplice Coroa, com os títulos da Libertadores, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. O dirigente citou a força do elenco e o planejamento montado para disputar simultaneamente as principais competições do calendário.
“Quero tudo. Pelo elenco e planejamento”, afirmou Bap antes da partida em Salvador.
Dentro de campo, o cenário foi oposto ao discurso otimista. O Vitória abriu o placar logo aos seis minutos do primeiro tempo com Erick, que acertou um chute no ângulo do goleiro Rossi. O segundo gol saiu na etapa final, em jogada de bola cruzada concluída por Luan Cândido, lance que voltou a evidenciar uma dificuldade defensiva recorrente do time carioca.
Segundo dados citados após a partida, seis dos 13 gols sofridos pelo Flamengo sob o comando de Leonardo Jardim nasceram em cruzamentos para a área. O problema já vinha sendo observado em jogos anteriores e reapareceu justamente em uma partida decisiva.
O Flamengo controlou a posse de bola durante boa parte do confronto e terminou o jogo com 26 finalizações, mas não conseguiu transformar o volume ofensivo em gols. A dificuldade nas conclusões voltou a irritar torcedores e aumentou questionamentos sobre a eficiência ofensiva da equipe.
Leonardo Jardim rejeitou classificar a eliminação como vexame, embora tenha admitido surpresa pelo resultado.
“Não é vexame, mas é inesperado. O Flamengo contra qualquer adversário é sempre favorito”, afirmou o treinador.
O técnico também destacou que o time tentou reagir até os minutos finais com mudanças ofensivas, incluindo as entradas de Pedro, Cebolinha e Varela. Mesmo assim, o Flamengo esbarrou nas defesas de Lucas Arcanjo e acumulou erros nas conclusões.
A gestão do elenco também entrou em debate após a queda. A chamada “rotação” defendida por Bap e utilizada por Leonardo Jardim passou a indicar diferenças claras entre as escalações usadas nas competições de mata-mata e no Campeonato Brasileiro.
Nos jogos da Libertadores e da Copa do Brasil, nomes como Bruno Henrique, Danilo e Emerson Royal ganharam espaço entre os titulares, enquanto Pedro, Léo Ortiz e Varela começaram algumas partidas no banco. A estratégia agora passou a ser questionada após a eliminação precoce.
O resultado também aumentou o peso das disputas restantes na temporada. Sem a Copa do Brasil, o Flamengo passa a concentrar a pressão sobre Libertadores e Campeonato Brasileiro, competições que agora se tornam prioridade absoluta para a diretoria e comissão técnica.
Enquanto isso, o Vitória transformou o Barradão em palco de uma das classificações mais relevantes do clube nos últimos anos. A equipe baiana suportou a pressão ofensiva do adversário, aproveitou os espaços deixados pelo Flamengo e garantiu vaga nas oitavas diante de um dos elencos mais caros do futebol brasileiro.
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