O diagnóstico de câncer de pulmão em uma jovem de 22 anos, sem histórico de tabagismo tradicional, colocou em evidência os riscos associados ao uso prolongado de cigarros eletrônicos. O caso ocorreu em Manchester, na Inglaterra, e ganhou repercussão após a paciente relatar a evolução da doença.
A jovem começou a usar vape aos 15 anos, motivada pela percepção de que o dispositivo seria menos prejudicial que o cigarro convencional. Com o passar dos anos, o hábito se tornou frequente e integrado à rotina.
Os primeiros sinais apareceram de forma gradual, sem indicação clara de gravidade. Entre os sintomas relatados estavam cansaço, falta de ar e alterações respiratórias.
Com o avanço do quadro, surgiram episódios de tosse com muco escuro e, posteriormente, presença de sangue. A persistência dos sintomas levou à realização de exames de imagem.
Um raio-X identificou uma alteração no pulmão direito, o que motivou investigação mais aprofundada. Após exames complementares, foi confirmado o diagnóstico de câncer de pulmão.
Inicialmente, o tumor foi classificado como estágio 1. A paciente passou por cirurgia para remoção de parte do pulmão e iniciou tratamento quimioterápico.
Durante o procedimento cirúrgico, porém, foram identificadas células cancerígenas em seis linfonodos próximos. Com isso, o quadro foi reclassificado para estágio 3, indicando avanço da doença.
O tratamento foi marcado por efeitos adversos intensos, incluindo perda rápida de peso, dificuldade de alimentação e episódios de vômito.
Após a quimioterapia, a jovem recebeu alta em fevereiro de 2026. No mês seguinte, voltou ao hospital com dores no peito e sinais respiratórios.
Os médicos identificaram um derrame pleural, caracterizado pelo acúmulo de líquido na região entre o pulmão e a parede torácica.
A análise do líquido revelou que o câncer havia retornado, desta vez no revestimento do pulmão
Com a recidiva da doença, o prognóstico foi revisto. A estimativa médica indicou expectativa de vida de aproximadamente 18 meses.
Segundo avaliação clínica, o tipo de evolução observado costuma ser mais frequente em pacientes idosos, o que tornou o caso incomum para a faixa etária.
Apesar disso, não houve confirmação de causa única para o câncer. Profissionais envolvidos no atendimento indicaram que o uso de cigarro eletrônico não contribuiu positivamente para a saúde pulmonar.
O caso reforça preocupações sobre a popularização do vape entre adolescentes. A facilidade de acesso e a percepção de menor risco continuam impulsionando o uso.
Após o diagnóstico, a jovem interrompeu o uso do cigarro eletrônico e passou a incentivar familiares e amigos a fazer o mesmo.
Segundo o Metropoles, a evolução do caso segue em acompanhamento médico, com controle dos sintomas e monitoramento da progressão da doença após o retorno identificado em 2026.