O Estado de São Paulo registrou em 2025 o maior avanço recente no número de doadores de órgãos, consolidando a liderança nacional na área de transplantes. Dados da Secretaria de Estado da Saúde apontam crescimento de 33,2% nas doações em relação ao ano anterior, movimento que impactou diretamente o total de cirurgias realizadas e a estrutura hospitalar envolvida nesse tipo de atendimento.
O número de doadores passou de 1.023 em 2024 para 1.363 neste ano. Na prática, o aumento elevou também a quantidade de transplantes realizados no estado. Foram 8.875 procedimentos em 2025, contra 8.311 registrados anteriormente, uma diferença de 564 transplantes em apenas um ano.
Além do crescimento nas doações, houve redução na recusa familiar, um dos principais obstáculos enfrentados pelas equipes médicas responsáveis pela captação de órgãos. Segundo o governo paulista, a taxa caiu 1,3 ponto percentual no período, fator considerado decisivo para ampliar o número de procedimentos efetivados.
São Paulo concentra atualmente a maior rede transplantadora do Brasil e responde por parte significativa das cirurgias realizadas no país. A Central Estadual de Transplantes registrou 5.886 transplantes de córnea ao longo de 2025, além de 2.031 de rim e 685 de fígado.
Os dados oficiais incluem ainda 148 transplantes de coração, 68 de rim e pâncreas, 48 de pulmão e 15 de pâncreas. A estrutura envolve hospitais públicos, unidades filantrópicas e centros especializados espalhados pelo estado.
Hoje, 28.852 pacientes aguardam por um transplante em São Paulo, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde.
A fila é organizada pelo Sistema Estadual de Transplantes, que trabalha em integração com o Sistema Nacional de Transplantes. A definição dos receptores segue critérios técnicos, incluindo compatibilidade sanguínea, tipagem genética, condições clínicas e priorização de pacientes em estado grave.
Uma das mudanças implementadas pelo governo paulista foi a inclusão de um sistema digital dentro do aplicativo Poupatempo. Pela plataforma, pacientes podem acompanhar informações sobre o cadastro e verificar a posição na fila de transplantes.
A medida integra o programa Saúde Digital Paulista e busca ampliar a transparência do processo para pacientes e familiares. O sistema também tenta reduzir dúvidas frequentes relacionadas ao andamento da espera por órgãos.
Ao mesmo tempo, a Secretaria de Estado da Saúde anunciou ampliação de 80% nos valores pagos pela Tabela SUS Paulista para sete procedimentos ligados à captação de órgãos. O novo modelo permite que hospitais e instituições filantrópicas recebam até cinco vezes mais do que os valores previstos na tabela federal em determinados procedimentos.
Entre as iniciativas que passaram a chamar atenção na logística de transplantes está o TransplantAR Aviação Solidária, programa criado em setembro de 2024 para acelerar o deslocamento de equipes médicas e o transporte de órgãos.
O projeto permite que proprietários de aeronaves privadas doem horas de voo para operações de captação em diferentes regiões do país. Desde a criação, a iniciativa realizou 106 voos e participou da captação de 99 órgãos.
A velocidade do transporte é considerada essencial em casos de transplante de coração e pulmão, órgãos que precisam ser implantados em até quatro horas após a captação. No caso do fígado, o limite operacional chega a 12 horas.
Segundo o Agenciasp, o TransplantAR venceu em 2025 a categoria Justiça e Cidadania da 22ª edição do Prêmio Innovare, voltado a iniciativas de inovação em políticas públicas e fortalecimento da cidadania. Enquanto isso, a Secretaria de Estado da Saúde mantém campanhas permanentes para incentivar famílias a autorizarem a doação de órgãos, considerada etapa indispensável para que os transplantes ocorram.