O Dia de Santa Rita de Cássia voltou a movimentar igrejas católicas, procissões e romarias em diferentes regiões do Brasil nesta sexta-feira, 22 de maio. A data, ligada à morte da religiosa italiana em 1457, se transformou ao longo das décadas em uma das celebrações religiosas mais populares do calendário católico, especialmente entre pessoas que enfrentam doenças, crises familiares, dificuldades financeiras e situações consideradas sem solução.
Conhecida como a santa das causas impossíveis, Rita de Cássia nasceu em 1381, na pequena localidade de Roccaporena, próxima à cidade italiana de Cássia, na região da Úmbria. Batizada como Margherita Ferri Lotti, cresceu em uma família religiosa durante o período final da Idade Média. Segundo registros históricos e relatos preservados pela tradição católica, ela desejava entrar para a vida religiosa ainda jovem, mas acabou obrigada pela família a se casar.
O marido, Paolo Mancini, era conhecido pelo comportamento agressivo e pelo envolvimento em disputas entre famílias rivais. Em algumas versões históricas, Paolo aparece como integrante de uma família poderosa da região e apelidado de “leão orgulhoso” por causa do temperamento violento.
A tradição católica afirma que Rita viveu anos de sofrimento dentro do casamento, suportando agressões e conflitos familiares enquanto tentava evitar novas mortes motivadas por vingança. O casal teve dois filhos.
Depois de aproximadamente 18 anos de casamento, Paolo foi assassinado. Os filhos cresceram desejando vingança pela morte do pai, algo comum naquele contexto histórico italiano. Segundo os relatos religiosos, Rita teria pedido a Deus que impedisse os filhos de cometer assassinato. Ambos morreram pouco tempo depois, vítimas de doença.
Viúva e sem os filhos, Rita tentou entrar no convento das irmãs agostinianas de Cássia. Inicialmente, o pedido foi recusado por causa da ligação da família com conflitos violentos da região.
A história mais conhecida envolvendo a entrada de Rita no convento diz que ela conseguiu ser aceita após reconciliar famílias rivais da cidade. Outra versão relata que Santo Agostinho, São João Batista e São Nicolau teriam aparecido durante a noite e conduzido Rita até o mosteiro.
Ela permaneceu no convento por cerca de 40 anos. Nesse período surgiram os relatos que ajudariam a transformar seu nome em símbolo de devoção popular. O episódio mais famoso envolve uma ferida na testa semelhante aos ferimentos atribuídos à coroa de espinhos usada por Jesus Cristo.
Segundo a tradição, durante uma oração diante de um crucifixo, Rita teria recebido um estigma na região frontal da cabeça. A marca permaneceu por aproximadamente 14 anos até sua morte.
O estigma, as histórias de curas e os relatos de oração atendida ajudaram a consolidar a imagem de Santa Rita como intercessora de casos considerados impossíveis.
Outro episódio ligado à devoção envolve uma rosa encontrada em pleno inverno italiano. Pouco antes da morte, Rita teria pedido a uma parente que buscasse uma rosa em sua antiga casa em Roccaporena. Mesmo com neve cobrindo a região, uma flor foi encontrada no jardim.
Desde então, rosas passaram a fazer parte da iconografia da santa e são levadas por fiéis às igrejas em 22 de maio para receber bênçãos durante as missas.
No Brasil, uma das principais referências de devoção à santa fica em Santa Cruz, no interior do Rio Grande do Norte. A cidade abriga a maior estátua católica do mundo dedicada a Santa Rita de Cássia, inaugurada em 26 de junho de 2010.
A estrutura transformou o município em centro de peregrinação religiosa no Nordeste e impulsionou o turismo ligado à fé. Em maio, milhares de romeiros passam pela cidade para participar das celebrações.
O corpo de Rita permanece preservado na Basílica de Santa Rita de Cássia, em Cássia, na Itália. Exames realizados em 1972 e 1997 identificaram sinais de lesões ósseas e mumificação natural. O local segue recebendo peregrinos de diferentes países ao longo do ano, especialmente durante as celebrações do dia 22 de maio.