O Dia das Mães celebrado no segundo domingo de maio no Brasil foi oficializado em 1932 por um decreto assinado pelo então presidente Getúlio Vargas. O texto determinava que a data seria dedicada à valorização do amor materno, associando a comemoração a princípios de solidariedade, respeito e união familiar.
A medida surgiu em um período de mudanças sociais importantes no país. Mulheres começavam a conquistar espaço político e direitos civis, incluindo o voto feminino. A oficialização da data também funcionou como um gesto simbólico voltado ao público feminino, num momento em que o governo buscava ampliar apoio popular.
O modelo adotado no Brasil foi inspirado diretamente na tradição norte-americana criada no início do século 20. A responsável pela mobilização foi Anna Maria Jarvis, uma mulher solteira e sem filhos que passou a defender oficialmente uma data dedicada às mães após a morte da própria mãe, em 1905, no estado da Virgínia Ocidental.
A mãe de Anna era conhecida por trabalhos sociais ligados à Igreja Metodista e sua morte causou forte comoção na comunidade local. A campanha criada pela filha ganhou repercussão nacional nos Estados Unidos, mesmo em uma época sem internet ou redes sociais.
Poucos anos depois, o então presidente americano Woodrow Wilson oficializou o segundo domingo de maio como o Dia das Mães nos Estados Unidos. O modelo acabaria exportado para diversos países.
“O Dia das Mães como é conhecido hoje nasceu nos Estados Unidos e depois foi replicado em diferentes partes do mundo”, afirma o professor Sérgio Silva Dantas, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Apesar do decreto de 1932, existem registros de homenagens anteriores às mães em território brasileiro. Muitas celebrações aconteciam dentro de igrejas cristãs, especialmente ligadas ao mês de maio, tradicionalmente associado à figura de Maria, mãe de Jesus.
Há registros de um evento dedicado ao Dia das Mães realizado em 12 de maio de 1918 no Rio Grande do Sul, promovido pela Associação Cristã de Moços.
A Igreja Católica também ajudou a ampliar a tradição. Em 1947, o então cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jaime de Barros Câmara, incorporou oficialmente a celebração ao calendário religioso no país.
Embora a data existisse oficialmente desde os anos 1930, pesquisadores apontam que o fortalecimento definitivo do Dia das Mães ocorreu durante o regime militar, entre 1964 e 1985.
Na época, a valorização da família tradicional ganhou destaque em campanhas, revistas e programas populares. A figura da mãe dedicada aos filhos passou a ser exaltada como modelo ideal de comportamento feminino.
A historiadora Mary Del Priore afirma que houve forte influência cultural dos Estados Unidos nesse período, especialmente na construção de referências familiares e sociais ligadas ao consumo.
O resultado foi a transformação gradual do Dia das Mães em uma das datas mais relevantes para o varejo brasileiro.
O apelo emocional da comemoração fez a data se transformar em um dos momentos mais lucrativos do calendário comercial. Atualmente, o Dia das Mães é considerado a principal data de vendas do primeiro semestre no Brasil.
Setores como vestuário, perfumes, maquiagem, joias, bolsas, móveis e eletrodomésticos costumam registrar crescimento expressivo nas semanas anteriores à comemoração.
Segundo especialistas do varejo, o comércio explorou durante décadas a ideia de que o presente dado à mãe também representava um benefício para o lar, fortalecendo as vendas de produtos domésticos de maior valor.
O segundo domingo de maio não é padrão global. Países como Brasil, Estados Unidos, Japão, Itália, Austrália e Chile adotam essa data, mas diversas nações utilizam calendários diferentes.
Portugal, Espanha e Angola celebram no primeiro domingo de maio. A Argentina reserva a homenagem para o terceiro domingo de outubro. Já países árabes como Egito e Síria comemoram em 21 de março, coincidindo com a chegada da primavera.
Na Grécia Antiga, homenagens ligadas à maternidade também aconteciam durante festividades da primavera em honra à deusa Reia, considerada mãe dos deuses.
Neste ano, o Dia das Mães volta a movimentar o comércio brasileiro em meio à expectativa do varejo por aumento nas vendas de produtos de maior valor agregado, especialmente eletrodomésticos, moda e itens de uso pessoal.