A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC, e aponta movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada pela influenciadora.
Segundo os investigadores, Deolane teria recebido recursos oriundos da facção por meio de uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista. A empresa é apontada pela polícia como uma estrutura financeira usada pela cúpula do grupo criminoso para ocultação e circulação de dinheiro.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em bens ligados à influenciadora. Além disso, a operação também bloqueou R$ 357,5 milhões em ativos financeiros atribuídos aos investigados e determinou a apreensão de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões.
As investigações tiveram início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos encontrados com presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material originou diferentes inquéritos policiais que passaram a rastrear ordens internas da facção, movimentações financeiras e o crescimento patrimonial de empresas suspeitas.
Em 2021, durante a Operação Lado a Lado, a polícia apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador financeiro central do esquema. O aparelho revelou detalhes sobre transações ligadas à empresa Lopes Lemos Transportes, também conhecida como Lado a Lado Transportes.
De acordo com a investigação, o conteúdo extraído do celular mostrou imagens de depósitos e transferências direcionadas para contas relacionadas a Deolane Bezerra e Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro do PCC.
Os investigadores afirmam que a estrutura empresarial era usada para criar aparência de legalidade e dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
O inquérito aponta que, entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil. Segundo a polícia, a prática é conhecida como “smurfing”, mecanismo usado para dificultar a identificação de movimentações financeiras suspeitas pelos órgãos de controle.
A investigação também afirma que quase 50 depósitos foram realizados em empresas ligadas à influenciadora, somando R$ 716 mil. Os valores teriam partido de uma empresa apresentada como banco de crédito, cujo responsável, segundo os investigadores, possui renda formal próxima de um salário mínimo mensal.
Os relatórios policiais afirmam ainda que não foram encontrados registros de prestação de serviços jurídicos que justificassem os valores recebidos pela influenciadora.
Deolane passou as últimas semanas em Roma, na Itália, e chegou a ter o nome incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol antes de retornar ao Brasil na quarta-feira. A prisão ocorreu menos de 24 horas depois da chegada ao país.
Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis ligados à influenciadora em Barueri, na Grande São Paulo. Também foram alvo da operação o influenciador Giliard Vidal dos Santos, apontado como filho de criação de Deolane, além de um contador ligado ao grupo investigado.
A operação também atingiu integrantes apontados como ligados ao alto escalão da facção criminosa. Entre eles estão Marco Herbas Camacho, o Marcola, seu irmão Alejandro Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.
| Operação | Vérnix |
| Órgãos responsáveis | MP-SP e Polícia Civil |
| Principal investigação | Lavagem de dinheiro ligada ao PCC |
| Valor bloqueado | R$ 357,5 milhões em ativos |
Segundo Oglobo, Ciro Cesar Lemos e a esposa seguem foragidos. A investigação continua analisando celulares apreendidos, registros bancários e movimentações financeiras atribuídas aos investigados, enquanto novas medidas judiciais podem ser solicitadas nos próximos dias.